MP investiga o não cumprimento de decisão no caso das conselheiras

Da Redação
O caso das conselheiras tutelares afastadas de Divinópolis voltou a movimentar os bastidores jurídicos da cidade. Depois de várias reviravoltas desde o final de 2024, agora é o Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que entra em cena, abrindo uma investigação para apurar se houve crime por parte de servidores da Prefeitura.
O motivo é o possível descumprimento de uma decisão da Justiça, que determinou o retorno imediato das conselheiras aos cargos. Mesmo com a ordem, elas teriam sido impedidas de voltar ao trabalho. Segundo denúncia feita por um advogado, duas servidoras — Juliana Coelho, secretária de Desenvolvimento Social, e Ednéia Mendes, coordenadora do Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCA) — teriam se recusado a cumprir a decisão judicial.
A situação levou o Ministério Público a instaurar um procedimento investigatório criminal. O órgão quer entender se houve ou não crime de desobediência e prevaricação.
Entenda
A disputa jurídica das conselheiras teve início após uma sindicância do CMDCA realizada em dezembro do ano passado, que apontou irregularidades nas ações das profissionais. Com base nesse processo, o Conselho decidiu afastar as quatro, acusando-as de abuso de poder, prevaricação e improbidade administrativa.
A decisão foi tomada em uma reunião secreta, com 17 votos favoráveis, alegando que as condutas prejudicaram o funcionamento do Conselho Tutelar e os direitos das crianças e adolescentes.
As conselheiras contestaram as acusações, alegando falta de defesa justa e que o afastamento foi arbitrário e politicamente motivado. A disputa se intensificou com decisões judiciais conflitantes.
Retorno negado
A desembargadora Juliana Campos Horta, do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, determinou, em fevereiro deste ano, que as conselheiras voltassem aos seus cargos, já que o afastamento ultrapassava os 30 dias permitidos por lei e não havia um processo disciplinar formal contra elas.
— A imposição das penalidades de advertência e de suspensão do exercício da função às impetrantes de maneira cumulativa, sendo a segunda delas por prazo superior a 30 dias, se mostra em dissonância com a norma — argumentou.
Mesmo assim, quando tentaram retornar, as conselheiras foram impedidas de assumir suas funções.
De acordo com um boletim de ocorrência registrado por elas, o argumento utilizado para não permitir o retorno foi de que “a decisão judicial estava errada” e que as suplentes já estavam convocadas.
Investigação
Diante da situação, o Ministério Público abriu uma investigação no início de abril, depois de receber uma representação do advogado das conselheiras.
A investigação busca saber se as servidoras cometeram os crimes de desobediência, por não cumprirem a ordem judicial, e prevaricação, por supostamente agirem com interesse pessoal e não cumprirem seus deveres de servidoras públicas.
O promotor responsável pelo caso, Marcelo Valadares Lopes Rocha Maciel, decidiu sobre o pedido em documento com data desta segunda-feira, 14, e enviou ofícios pedindo documentos e explicações ao CMDCA e à Procuradoria do Município.
Respostas
O Ministério Público deu um prazo de 10 dias úteis para que os citados: CMDCA e Procuradoria do Município, forneçam respostas sobre o caso.
Entre os questionamentos feitos, estão: a instauração de um processo administrativo disciplinar contra as conselheiras, com base nas alegações que motivaram o afastamento delas; o cumprimento imediato da decisão judicial que determinou o retorno das conselheiras aos cargos; e, caso a decisão não tenha sido cumprida, a justificativa para o descumprimento da ordem judicial.
O MP também busca esclarecer se as conselheiras já retornaram ao trabalho ou se continuam afastadas. Além disso, foi solicitada a cópia integral da sindicância que deu início ao afastamento das conselheiras, visando garantir a transparência na apuração das infrações alegadas.
Leia também
Chuva intensa em Divinópolis registra 16 ocorrências
João Fonseca é confirmado em Roland Garros e joga seu 2º Slam na carreira
Divinópolis ganha oito novos canais de TV digital aberta
Estados podem renegociar dívidas até 31 de dezembro
Crea nomeia novos inspetores para Divinópolis
Divinópolis recebe workshop inédito com Eduardo Cristian, o Embaixador das Confecções
Mais recentes
Do nosso arquivo
Veja tudo o que publicamos em abril de 2025
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…







