MP pede arquivamento de caso após descartar morte de detento por violência
Laudo confirma intoxicação e overdose de cocaína, que ocasionou um colapso cardiorrespiratório

Ana Luísa Freitas
A morte do detento Marcos Vinícius Tavares, de 37 anos, ocorrida no dia 31 de maio deste ano, no Presídio Floramar, em Divinópolis não foi causado por violência por parte de policiais penais, como chegou a ser especulado. Foi o que concluiu o Ministério Público de Minas Gerais (MP) em nota encaminhada à imprensa nesta quarta-feira, 22.
Inicialmente, a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) negou que houvesse ocorrido uma rebelião e informou que a situação foi rapidamente controlada pelos agentes de segurança. Horas depois, a própria secretaria confirmou a morte.
Confusão
De acordo com a versão oficial, a confusão começou durante as visitas em um dos pavilhões da unidade. Segundo a Sejusp, policiais penais perceberam quando um visitante lançou uma sacola do pátio para o interior de uma cela. Diante da situação, os servidores entraram no local e flagraram um detento tentando engolir o material que havia recebido.
Em seguida, presos e visitantes iniciaram uma confusão e arremessaram água, alimentos e objetos contra os servidores. A situação foi controlada, e as famílias que faziam visitas foram retiradas do presídio.
A situação mobilizou equipes da unidade e também a Polícia Militar (PM), acionada para apoio na área externa do presídio.
Suposta rebelião
Ainda durante a tarde de domingo, visitantes que estavam na porta da unidade e informações divulgadas nas redes sociais passaram a relatar a ocorrência como uma rebelião.
Vídeos e mensagens compartilhados por aplicativos mostravam movimentação de viaturas e visitantes deixando o local.
Porém, em nota, a Sejusp afirmou que não havia nenhuma interação mais grave dentro da unidade.
Morte de Marcos Vinícius
Com suspeita de que o detento tivesse ingerido a substância com características semelhantes à cocaína, o homem foi encaminhado para a cela de triagem, onde permaneceria sob observação. Pouco tempo depois, porém, Marcos começou a apresentar sinais de mal-estar. Ele recebeu os primeiros atendimentos da equipe de saúde do próprio presídio.
Com o agravamento do quadro clínico, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado. Apesar das tentativas de socorro realizadas pelos profissionais de saúde, ele não resistiu.
Passagem prisional
De acordo com a Sejusp, Marcos deu entrada no presídio em 13 de julho de 2025, mas tem registros de passagens pelo sistema prisional desde abril de 2008. Os crimes não foram informados.
Após a confirmação da morte, o nome dele passou a ser amplamente citado nas redes sociais, aumentando a repercussão do caso na cidade.
Arquivamento
As informações do MP enviadas à imprensa, assinadas pelo promotor Marco Aurélio Rodrigues de Carvalho, por meio de nota, explicam o arquivamento do caso após perícias, depoimentos e análise de imagens descartarem qualquer agressão por parte de policiais penais.
De acordo com a conclusão, exames periciais foram realizados no detento, e apresentaram quadros de intoxicação grave e overdose de cocaína, que causou um colapso cardiorrespiratório e morte. Foram localizados quatro invólucros plásticos azuis no seu estômago, compatíveis com aqueles apreendidos momentos antes em sua posse, durante a abordagem realizada pelos policiais penais no interior da cela
O laudo pericial não identificou lesões traumáticas compatíveis a espancamento, contenção violenta ou qualquer forma de agressão física.
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