Mulheres esperam por mamografia há mais de um ano em Divinópolis

Da Redação
Outubro é o mês de uma das campanhas de conscientização de saúde mais conhecidas no Brasil, o “Outubro Rosa”. Apesar da midiatização da campanha, a realidade é outra. Em Divinópolis cerca de 326 mulheres aguardam exame de mamografia, dentre elas, algumas esperam há mais de um ano pelo procedimento.
Conforme o Instituto Nacional de Câncer (Inca), o tumor na mama é o segundo com maior taxa de mortalidade entre as brasileiras. A doença afeta cerca de 57 mil mulheres anualmente. E têm previsão de diagnósticos ativos em até 73 mil até o final do ano.

Doença
O tumor maligno é causado pela multiplicação desordenada de células anormais da mama, que forma um tumor com potencial de invadir outros órgãos. Alguns têm desenvolvimento rápido, enquanto outros crescem lentamente.
Segundo o Ministério da Saúde (MS), a maior parte dos cânceres de mama é descoberta pelas próprias mulheres, realizando o toque manual e conhecendo seu corpo. A detecção precoce é crucial, assim quando identificado em fase inicial, o tumor pode ser curável em até 98% dos casos.
No entanto, segundo a mastologista Bárbara Monteiro, o toque é o primeiro passo e o segundo é a mamografia que auxilia na identificação dos tumores com precisão.
— Quanto mais precoce o diagnóstico, mais fácil a gente conseguir tratar, um tratamento menos agressivo e uma menor taxa de recidiva mesmo do tumor. Então, é de suma importância a gente fazer a mamografia regularmente — reforça a especialista.

Com intuito de conscientizar a população para a identificação precoce a partir do autoexame e o preciso da mamografia, a campanha circula por todos os estados neste mês. Além dos nódulos, é necessário ficar atento aos outros sintomas como alterações na pele da mama (vermelhidão ou retração), secreção anormal nos mamilos e mudanças no formato ou tamanho das mamas.
Divinópolis
A fila de espera só cresce, mas os exames não são marcados no mesmo ritmo, mais de 300 mulheres aguardam na fila para realizar a mamografia pelo Sistema Único de Saúde( SUS), na cidade. Entre as pacientes, algumas aguardam sua vez desde o ano passado. Uma delas está classificada como prioridade “ALTA”, mas espera seu exame desde o dia 07 de dezembro de 2023. As demais estão entre média e baixa.
No entanto, segundo a Lei n° 12.732, o paciente com laudo médico tem 60 dias para começar o primeiro tratamento médico. Na mesma lei, é previsto que os usuários da rede pública com suspeita de câncer tenham acesso a todos os exames necessários para o diagnóstico em até 30 dias. Conforme as orientações da MS, esse período é mínimo para identificar a doença para não comprometer a saúde da paciente.

Segundo a Prefeitura de Divinópolis, a realização do exame mamográfico tem uma espera média de 30 dias e que essas mulheres que estão há meses aguardando podem estar com alguma pendência no cadastro, é necessário que chequem em alguma unidade de saúde para verificar o que houve.
De acordo com a Associação de Combate ao Câncer do Centro Oeste de Minas (Acom), são realizadas em média 600 mamografias por mês. Apesar da associação disponibilizar o exame, quem é responsável pela regulamentação das filas são as prefeituras das cidades da região, porque a porta de entrada são os postos de saúde de cada cidade.
Sem acesso ágil aos exames, as pacientes permanecem vulneráveis, e a eficácia da prevenção se perde, comprometendo vidas que poderiam ser salvas com um diagnóstico precoce. Além da conscientização, segundo especialistas, é necessário o compromisso do poder público com a saúde feminina, garantindo que as leis de atendimento oncológico sejam cumpridas.

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