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Política

Munição pesada 

Munição pesada 

O vazamento dos áudios entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro dinamitou, sem dúvida, sua pré-candidatura antes mesmo de ela começar. O problema não é grande, é gigantesco. Na política, a regra é simples: escândalo financeiro afasta voto e dá munição pesada para o adversário.  Pré-campanha vive de imagem, e agora o  que resta dela é áudio vazado, banqueiro preso e dinheiro rolando por baixo do pano. Pra recuperar, não basta nota oficial. Precisa explicar origem, destino e por que um senador negocia filme biográfico do pai com banqueiro investigado. Enquanto não fizer isso, cada palanque vira motivo de dúvida, questionamento e descrédito. 

Efeito dominó 

O dito acima mostra que o caso Vorcaro expõe uma rachadura no escudo do bolsonarismo. O ex-presidente e pai de Flávio, construiu capital político atacando “toma lá, dá cá” e corrupção sistêmica. Quando o próprio filho aparece em áudio cobrando dinheiro de banqueiro que depois é preso por rombo bilionário, a narrativa desmonta. A consequência direta é tripla: Primeiro, perda de discurso — fica difícil sustentar bandeira anticorrupção com áudios de negociação milionária circulando. Segundo: Fogo amigo — alas do PL e de partidos de direita já evitam foto ao lado, com medo de contaminação. Terceiro: Campo aberto para esquerda — a oposição ganha um presente de campanha pronto: “não é só 01, é o 01 no áudio”. Pré-candidatura que começa se explicando, não decola. E no xadrez de 2026, onde cada nome é medido por rejeição, Flávio entra com o pior passivo possível: parecer igual a tudo que o bolsonarismo dizia combate.

Pega carona

Enquanto isso, pegando carona na crise e divisão na direita, outros nomes são ventilados como possíveis substitutos de Flávio Bolsonaro ou adversários. Um deles, o partido Republicanos que já ventila lançar Cleitinho, que hoje é pré-candidato ao Governo de Minas, a presidente da República. O senador lidera as pesquisas de intenção de votos para ocupar a principal cadeira do Executivo de Minas, mas aparece como possível alternativa da direita caso a pré-campanha de Flávio seja minada. Por enquanto, a assessoria do divinopolitano disse que tudo que tem até o momento sobre o assunto está com partido.  O filho do ex-presidente que vivia um momento de crescimento nas pesquisas de intenção de voto, agora assiste todo o planejamento desmoronar. 

Outro nome 

E como todo vácuo na política o que não falta são oportunistas, o nome de Cleitinho não é o único. Aécio Neves (PSDB) pode estar de volta. Os caciques acordaram? Parece que sim. Os partidos de centro vão discutir na próxima semana a possibilidade de lançar o nome do ex-governador de Minas Gerais para a Presidência. O tucano já havia sido candidato em 2014 e disputou o segundo turno contra Dilma Rousseff, que saiu vencedora com 51,64% dos votos válidos. A possibilidade foi ventilada nesta terça-feira, 19, por lideranças do Solidariedade, do Cidadania e da cúpula tucana. E voltará à tona na próxima terça-feira em uma reunião da federação dos partidos, solicitada pelo ex-senador Roberto Freire (Cidadania) para avaliar a viabilidade. A força pelo nome de Neves, veio pelo fato de ter sido falado publicamente por Freire e pelo deputado federal Paulinho da Força, que é o mandatário nacional do Solidariedade. Até aí, tudo certo, e o ex-governador tem muitos apoiadores. Mas, o povo terá esquecido o lamaçal que envolveu seu nome em escândalo de corrupção? Se bem, que o brasileiro tem memória curta.

Impôs condição

Quando a disputa chega a Minas Gerais, o PSDB também se movimenta.  O partido intensificou as articulações com o ex-prefeito de Belo Horizonte, Alexandre Kalil (PDT), pré-candidato mais uma vez ao governo de Minas. O presidente do partido no estado e deputado federal, Paulo Abi-Ackel, confirma as tratativas, mas com uma condição: que Kalil não esteja alinhado politicamente ao presidente Lula (PT). Vale relembrar que em 2022 Kalil apoiou Lula, mas depois houve uma situação de desgaste entre os dois. Pelo menos dois encontros foram realizados. A articulação ganhou força após a possível desistência de Rodrigo Pacheco (PSB) da briga pelo Palácio Tiradentes. Pacheco, na verdade, está de olho em outra cadeira: a do TCU. 

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