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Nova falha em elevador de ônibus expõe problema recorrente em Divinópolis

Por Bruno
Nova falha em elevador de ônibus expõe problema recorrente em Divinópolis

Jonny Reisle

Menos de um mês após o caso que ganhou repercussão em toda a cidade ao mostrar a cadeirante Maria Cristiana da Silva precisando se arrastar para desembarcar de um ônibus do transporte coletivo que faz a luna do seu bairro, o Jardinópolis, uma nova ocorrência envolvendo falha no elevador de acessibilidade voltou a expor problemas na frota de Divinópolis. Desta vez, o episódio foi registrado na tarde de segunda-feira, 20, no mesmo bairro, porém com itinerário diferente, e novamente envolveu um cadeirante que encontrou dificuldades para deixar o veículo devido ao mau funcionamento do equipamento.

Registro que repercutiu

Um vídeo gravado por passageiros mostra o coletivo da linha 19 parado após apresentar problemas mecânicos durante o trajeto. Além da pane, o elevador de acessibilidade também não funcionava, impossibilitando o desembarque do cadeirante. Nas imagens, passageiros aguardam a chegada de outro ônibus para prosseguir viagem, enquanto o usuário e os demais ocupantes permanecem à espera de uma solução.

O novo caso ocorre 23 dias depois da ampla repercussão do episódio envolvendo Maria Cristiana e levanta novamente questionamentos sobre as condições da frota e a efetividade das medidas anunciadas após a primeira ocorrência.

Prefeitura cobra explicações

Em nota, a Prefeitura de Divinópolis informou que tomou conhecimento de que, mais uma vez, um elevador de acessibilidade apresentou problemas durante a operação do transporte coletivo.

Segundo o Executivo, a Secretaria Municipal de Trânsito, Segurança Pública e Mobilidade Urbana (Settrans) já está adotando as providências junto ao Consórcio TransOeste para apurar as causas da falha e exigir as medidas cabíveis.

A administração municipal afirmou que o transporte coletivo deve atender aos padrões de qualidade e segurança previstos no contrato de concessão, especialmente no que diz respeito à acessibilidade, e garantiu que continuará fiscalizando rigorosamente a prestação do serviço para assegurar um atendimento digno aos usuários.

Caso de Maria Cristiana marcou debate

O novo episódio remete imediatamente ao caso de Maria Cristiana da Silva, conhecida como Cris, que no fim de junho publicou um vídeo mostrando o momento em que precisou se arrastar para conseguir desembarcar de um ônibus porque a plataforma elevatória não funcionava.

As imagens provocaram forte repercussão nas redes sociais e deram visibilidade a um problema que, segundo a própria passageira, faz parte da rotina de muitos usuários com deficiência.

Se calar não é mais opção

Em entrevista ao Agora, Maria Cristiana afirmou que decidiu gravar o vídeo justamente para mostrar uma realidade que, segundo ela, era ignorada.

— Eu quis mostrar a realidade do meu dia a dia, porque isso acontece sempre — enfatizou. 

Episódios frequentes

Na ocasião, ela contou que os problemas vão muito além daquele episódio. Segundo a cadeirante, é comum motoristas informarem que o elevador está com defeito e orientarem que ela aguarde o próximo coletivo. Quando consegue embarcar, ainda enfrenta dificuldades causadas pela superlotação e pela falta de espaço reservado.

A repercussão do vídeo gerou centenas de manifestações nas redes sociais, com críticas à qualidade do transporte coletivo, à manutenção da frota e ao aumento da tarifa autorizado neste ano. O caso também levou a Prefeitura a localizar a passageira para acompanhar a situação e intensificar a cobrança sobre a concessionária responsável pelo serviço.

Reunião buscou soluções

Diante da repercussão, representantes da Prefeitura e do Consórcio TransOeste realizaram, no início deste mês, uma reunião para discutir o cumprimento do contrato de concessão, as condições da frota e, principalmente, o funcionamento dos elevadores de acessibilidade.

O encontro marcou o início de reuniões mensais entre o município e a concessionária com o objetivo de acompanhar a prestação do serviço. Maria Cristiana também participou da reunião e voltou a relatar as dificuldades enfrentadas diariamente. Após o encontro, ela demonstrou frustração com a ausência de compromissos concretos assumidos pela empresa.

Problemas em veículos

Durante a reunião, a Settrans apresentou um balanço das fiscalizações realizadas nos três meses anteriores. Segundo os dados, foram feitas 239 inspeções em veículos da frota, das quais 48 identificaram algum tipo de irregularidade. Conforme a secretaria, apenas três ocorrências estavam relacionadas a falhas nos elevadores de acessibilidade.

Na ocasião, o secretário municipal de Trânsito e Transporte, Lucas Estevam, informou que o consórcio havia assumido o compromisso de revisar os veículos que registravam maior incidência de problemas.

— O consórcio se comprometeu a revisar principalmente esses carros, que estão com maiores incidências, e resolver o problema. Trouxeram uma empresa especialista, que está na garagem, para poder reformar os elevadores —  afirmou.

Segundo o secretário, toda a frota do transporte coletivo possui equipamentos de acessibilidade, mas alguns veículos apresentam mais ocorrências em razão das condições de uso e da frequência de operação.

Consórcio prometeu revisão

Também durante a reunião, o advogado do Consórcio, Glauco Ribeiro, reconheceu que a renovação da frota foi dificultada ao longo dos anos e informou que uma empresa especializada já havia iniciado uma revisão completa nos elevadores instalados nos ônibus.

— A empresa que fabrica essas plataformas está dando uma geral em todos os elevadores — disse.

Ele explicou que os equipamentos deixam a garagem em condições normais de funcionamento, mas podem apresentar falhas durante a operação em razão de fatores como poeira, vibração e condições das vias, especialmente nos trechos sem pavimentação.

Mesmo após o compromisso assumido entre Prefeitura e concessionária, o novo caso registrado neste domingo volta a colocar em evidência a necessidade de soluções efetivas para garantir a acessibilidade no transporte coletivo. O episódio reforça as cobranças por maior fiscalização, manutenção preventiva da frota e cumprimento das obrigações previstas no contrato de concessão, especialmente no atendimento às pessoas com deficiência.

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