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"Novo Cangaço" ataca agência da Caixa e sede da PM no Sul de Minas em ação ousada

"Novo Cangaço" ataca agência da Caixa e sede da PM no Sul de Minas em ação ousada

Da Redação

A madrugada desta terça-feira, 8, foi marcada por violência e terror na cidade de Guaxupé, no Sul de Minas, quando um grupo fortemente armado, associado ao chamado "Novo Cangaço", atacou uma agência da Caixa Econômica Federal e disparou contra o quartel da Polícia Militar da cidade. O ataque, que ocorreu por volta das 1h45, deixou um policial militar ferido e mobilizou forças de segurança de toda a região.  

Segundo informações da PM, os criminosos chegaram em pelo menos cinco veículos, fortemente armados, e iniciaram os disparos contra a agência bancária, localizada na avenida Doutor João Carlos, no Centro da cidade. Eles utilizaram explosivos para arrombar o estabelecimento, mas até o fechamento desta reportagem, por volta das 16h, de ontem ainda não havia confirmação sobre valores roubados.  

Simultaneamente, outro grupo de bandidos atacou a sede do 37º Batalhão da PM e a base da Guarda Municipal, efetuando dezenas de tiros contra o prédio. Um policial militar que estava dentro do quartel foi atingido por estilhaços de vidro e sofreu um ferimento na mão. Ele foi socorrido e passa bem.  

Operação de rastreamento 

Diante da gravidade do caso, a Polícia Militar acionou reforços, o Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e do Comando de Aviação do Estado (CAV) para rastrear os criminosos, que fugiram em direção às rodovias da região.  

A Polícia Federal (PF) também enviou equipes para investigar o caso, que está sendo tratado como crime organizado. A PF trabalha em conjunto com a Polícia Civil (PCMG) e a PM para identificar e prender os responsáveis.  

O que é o "Novo Cangaço"?

O termo "Novo Cangaço" é usado para descrever grupos criminosos altamente organizados que agem em cidades do interior, normalmente durante a madrugada, com o objetivo de dominar a área e roubar grandes quantias de bancos. Esses ataques seguem um padrão semelhante ao do cangaço histórico, em que bandidos invadiam vilarejos no Nordeste no século XX, mas com armamento pesado e táticas modernas.  

De acordo com o professor e especialista em Segurança Pública da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Rafael Alcadipani,  o "Novo Cangaço" se caracteriza por:  

- Ataques simultâneos a bancos e órgãos de segurança para impedir reação policial;  

- Uso de explosivos e fuzis de alto poder de fogo;  

- Bloqueio de vias de acesso para dificultar a chegada de reforços;  

- Fuga rápida por rotas estratégicas.  

Ataques do grupo 

O último ataque do "Novo Cangaço"em Minas havia ocorrido há 11 meses, na cidade de Camanducaia, também no Sul do Estado. Na ocasião, criminosos explodiram agências da Caixa e do Santander e fugiram em veículos de luxo, como um Mitsubishi Outlander e um Jeep Compass.  

Antes disso, em maio do ano passado, a cidade de Itinga, no Vale do Jequitinhonha, foi alvo de um ataque semelhante, quando pelo menos dez criminosos invadiram a cidade, explodiram caixas eletrônicos e tomaram as ruas, mantendo a população em pânico.  

Reação das autoridades

O Secretário de Segurança Pública de Minas Gerais, General Mário Zimmermann, afirmou que o Estado está reforçando o policiamento em cidades do interior, principalmente nas regiões Sul e Vale do Jequitinhonha, onde esses ataques têm sido mais frequentes.  

— Estamos trabalhando em conjunto com a PF e a Polícia Civil para desarticular essas organizações criminosas. Eles agem com violência, mas serão punidos com todo o rigor da lei — declarou Zimmermann.  

Investigação apura ligação com facções

Há suspeitas de que os ataques do "Novo Cangaço" tenham ligação com facções criminosas que atuam em São Paulo, Bahia e Pernambuco, estados onde esse tipo de crime também tem ocorrido. A PF investiga se os mesmos grupos estão agindo em Minas Gerais.  

Enquanto as investigações avançam, a população do interior mineiro vive em alerta, temendo novos ataques. As autoridades garantem que medidas estão sendo tomadas, mas a sensação de insegurança ainda preocupa.  

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