O fascínio das redes

Ômar Souki
Grande parte de meu tempo se escoa enquanto observo a telinha do meu celular. Utilizo o aparelho para descansar depois das atividades cotidianas e quando olho para o relógio lá se foi uma hora. Às vezes lá se foram até duas horas sem que eu nem percebesse. A média geral da utilização do celular no Brasil em 2024 tem sido de 5h24min (negociossc.com.br). No meu caso, o algoritmo tem me oferecido temas relacionados à saúde, à religião, às profecias, ao entretenimento, à política, aos crimes, ao governo global, às catástrofes, ao fim do mundo, e às curiosidades em geral. Um cardápio variado de assuntos capaz de aguçar a minha curiosidade e atrair minha atenção por horas a fio. Se eu não me cuidar, permaneço confortavelmente passeando na dimensão virtual, me esquecendo da real. O mundo virtual nos dá a impressão de que, de fato, estamos fazendo alguma coisa, mas, se pensarmos bem—na maioria das vezes—não estamos fazendo nada. Ou pior, menos do que nada. Com frequência, estamos simplesmente poluindo a nossa mente com inutilidades.
Uma animação que o doutor Frederico Porto postou no Instagram mostra várias pessoas entrando em um celular—entretidas com o aparelho na mão—e, enquanto cada uma delas entra na telinha, aparecem frases com os seguintes dizeres: “matou a TV, matou o computador, matou o relógio, matou a câmara fotográfica, matou o rádio, matou a lanterna, matou o espelho, matou o jornal, matou as revistas e os livros, matou o vídeo game, matou a carteira, matou o calendário de mesa, matou o cartão do banco, e o pior de tudo é que matou também muitos casamentos e junto matou várias famílias e aos poucos está matando os nossos olhos, a nossa coluna cervical, a nossa saúde mental, tentando acabar com a próxima geração, e se não vigiarmos vai matar a nossa alma. Pense nisso”.
Como peixes incautos, caímos facilmente no fascínio das redes sociais e somos engolidos pelo dolce far niente (ócio adocicado). Mas, é preciso reagir, colocar o celular dentro da gaveta mais próxima, pegar um livro para ler, ou escrever algo importante para depois postar, onde? Justamente naquelas redes das quais eu tinha acabado de me livrar. Mas, quando eu as utilizo para postar algo, o faço na esperança de estar levando algo de positivo para meus seguidores. As utilizo não só para me distrair e informar, mas também para divulgar algo de bom, belo e verdadeiro. Pelo retorno que tenho recebido, percebo que minhas ações no universo virtual têm sido positivas, motivando as pessoas a vencer o desânimo e a partir para a realização de seus sonhos.
Inúmeras postagens, como as do doutor Frederico, trazem contribuições significativas e justificam a utilização do celular—não só para nos comunicarmos—mas também para nos entreter e enriquecer a nossa mente e o nosso espírito. Mas é preciso que esse pequeno, mas poderoso instrumento, esteja sob o nosso domínio. Deve ser utilizado com critério. Caso contrário, em vez de nos beneficiar, poderá se transformar em um verdadeiro cavalo de Tróia.
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