O verbo

A palavra verbo é originária do latim verbum, que significa palavra, derivada da raiz indo-europeia were, que remete ao ato de falar.
Na Antiguidade, a palavra verbum designava a palavra em geral, o discurso ou a expressão oral. Na filosofia e na teologia, assim como o logos grego, também adquiriu o sentido de pensamento manifestado por meio da palavra.
Não havendo nenhum meio tecnológico, na Antiguidade, as pessoas podiam usufruir da pureza da palavra, oriunda da alma humana e, consequentemente, retribuir com a mesma intensidade. Segundo a milenar ciência tibetana, o poder está na palavra. A palavra, portanto, é a semente que procura solo fértil para o devido nascimento e a frutificação.
Com o advento da tecnologia e, de forma mais abrangente, dos celulares, da robótica e da inteligência artificial, criou-se uma barreira, produzindo um isolamento verbal. O homem, longe do homem, torna-se apenas animal... Obviamente, os instintos inferiores vêm à tona de forma alarmante, como jamais houve na história do tempo.
Em suma, precisamos falar e ouvir, comunicando-nos uns com os outros. Em pleno ano de 2026, constatamos uma alarmante solidão individual e global. Nunca estivemos tão sós, mesmo em meio às grandes multidões. Os casamentos, as associações, o apego aos animais etc. não preenchem esse vazio existencial. O que é assustador é a realidade, cada vez mais evidente, de que a tendência é piorar.
Em um corpo morto, inicia-se, obviamente, o estágio da putrefação. Assim também, as relações humanas tornam-se artificiais, escassas, sem o verdadeiro sentido do "verbo". Existem famílias que precisam agendar reuniões dentro da própria casa, pois vivem vidas isoladas, apegadas ao celular de forma doentia e cruel.
No trabalho, tudo agora se tornou acentuadamente tecnológico: o ponto, os avisos etc. O trânsito infernal deixa os nervos à flor da pele, e o indivíduo se torna cada vez mais adepto ao isolamento, ficando fraco e doente.
Inúmeros são os divórcios motivados por queixas, principalmente das mulheres, em relação ao completo isolamento verbal. "Ele não conversa mais comigo, sou apenas robô..." Li um artigo sobre "A solidão da mulher casada". Fiquei estarrecido com a realidade presente, segundo o autor.
Em nosso mundo cada vez mais moderno, às vezes, os papéis se invertem, e as reclamações passam a vir dos homens: "A minha mulher se tornou mulher de negócios, e não minha mulher..."
A ciência é um mal necessário, e não podemos combatê-la. Porém, devemos nos educar e dar lugar à majestade da palavra. Segundo a ciência, a palavra falada atua como um gatilho neurofisiológico, alterando a química cerebral e a percepção sensorial. Estudos da neurociência revelam que as palavras não apenas revelam a realidade, mas também modulam o que vemos e sentimos, por meio de mecanismos de antecipação e processamento emocional.
Os sábios da Antiguidade nos ensinam que nossas palavras devem ser temperadas com o sal da prudência e do equilíbrio, pois elas não voltam atrás. Seus efeitos podem ser amenizados por meio do perdão e das atitudes, para que a colheita seja menos dolorosa.
Prezados leitores e leitoras, nós erramos por palavras, pensamentos, atos e omissões. Porém, o perigo maior reside em nossas palavras. Não julgue ninguém. Não apoie alguém sem ouvir os dois lados que originaram o conflito. Guarde todas as suas armas de arrazoamento, pois a vida é breve e nós voamos, como diz o salmista Davi.
Queime o lixo das mágoas, pois quem sofre muito mais está calado.
Lembrem-se! A palavra sempre tem poder para o bem ou para o mal.
Deus vos abençoe!
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