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Economia

Óleo tem alta no preço expressiva em setembro 

Óleo tem alta no preço expressiva em setembro 

Jorge Guimarães 

Em meio à guerra tributária entre os Estados Unidos e o Brasil, o impacto já começa a chegar ao consumidor final. Quem foi aos supermercados nas últimas semanas, certamente notou a alta nos preços do óleo de soja, um dos itens mais presentes na mesa dos brasileiros. De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o produto registrou aumento de 7,83% em setembro, refletindo diretamente as tensões comerciais entre os dois países.

Recorde

A coincidência do reajuste com o recorde de exportação de soja pelo Brasil, no mesmo período, reforça o efeito da demanda externa sobre o mercado interno. Com mais grãos sendo destinados à exportação, a oferta para o processamento e consumo doméstico diminui, pressionando os preços. 

Em setembro, segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), o Brasil registrou exportações de soja no valor de US$ 3,107 bilhões. Desse total, 92,2% tiveram como destino a China, o que representa cerca de US$ 2,866 bilhões em negócios com o país asiático. 

— O expressivo volume embarcado reforça o papel do Brasil como principal fornecedor global do grão e evidencia a forte dependência comercial entre as duas economias. Assim, enquanto o país comemora números expressivos nas vendas ao exterior, o consumidor sente no bolso os efeitos de um cenário global mais competitivo e instável — avalia o economista Lazaro Ribeiro.

Mercado asiático

Assim, em consequência, a guerra tarifária iniciada pelo governo de Donald Trump, alterou profundamente o cenário do comércio internacional de commodities agrícolas. Com o aumento das tarifas impostas por Washington aos produtos chineses e a retaliação de Pequim sobre a soja americana, o Brasil acabou assumindo uma posição estratégica, ampliando sua fatia no mercado asiático.

— O resultado é um fluxo robusto de exportações que impulsiona a balança comercial brasileira, mas também traz reflexos para o consumidor interno, já que a forte demanda externa reduz a oferta de grãos para o processamento nacional e contribui para a elevação de preços de derivados, como o óleo de soja, nos supermercados — pontua o economista. 

A tendência, segundo Ribeiro, é que o comportamento do preço do óleo de soja continue atrelado às disputas comerciais e às variações cambiais, tornando o acompanhamento do mercado internacional essencial para entender os movimentos das prateleiras nacionais.

Orçamento

A recente alta no preço do óleo de soja tem pesado tanto no orçamento das famílias quanto nas contas de bares, lanchonetes e restaurantes. E o reflexo já é sentido no dia a dia de quem cozinha em casa ou trabalha com alimentação fora do lar.

—  Antes eu comprava o óleo de cinco litros e dava para o mês todo. Agora, com o preço nas alturas, tenho que buscar promoções e reduzir o uso. E o pior é que tudo aumenta junto arroz, carne, e agora o óleo. Fica cada vez mais difícil equilibrar o orçamento — lamenta a dona de casa Vera Regina de Oliveira. 

No setor de alimentação, a preocupação também é grande. Rolando Meneses, proprietário de um restaurante no Centro, explica que o aumento do óleo afeta diretamente os custos de produção. 

— Usamos o produto em praticamente tudo, das frituras aos temperos. Quando o preço sobe, temos que nos virar para economizar ao máximo, mas sem alterar a qualidade de nossos pratos. Evitando assim repassar o custo, o que geralmente acontece — definiu o empresário.

No comércio de varejo, a situação também preocupa. Carlos Henrique Silva, proprietário de uma lanchonete, explica que o aumento do óleo e de outros insumos impacta diretamente nos custos do negócio. 

— Fritamos batatas, salgados, pastéis, tudo depende do óleo. Quando o preço sobe, tentamos segurar, mas chega uma hora que não dá para não repassar — exemplifica o comerciante.

Fatores

Especialistas apontam que, além da demanda internacional aquecida, fatores como o câmbio e o custo do transporte interno contribuem para manter os preços em alta. Enquanto isso, consumidores e comerciantes buscam alternativas, seja reduzindo o consumo, seja apostando em estratégias de compra coletiva ou substituição por outros tipos de óleo.

— O impacto é duplo, pois pesa no bolso das famílias e pressiona o setor de alimentação, que é um dos que mais gera empregos no país. É um exemplo claro de como oscilações no mercado global acabam interferindo diretamente na vida cotidiana dos brasileiros — detalha Ribeiro. 

Balança comercial 

Muita gente tem sentido nos últimos meses, o peso das compras no supermercado e no posto de combustível. O aumento nos preços de itens básicos, como óleo de soja, carne e gasolina, está diretamente ligado ao comportamento das commodities, produtos, como soja, petróleo e minério de ferro, que o Brasil exporta em grandes quantidades.

Quando esses produtos valorizam lá fora, o país vende mais e ganha em exportações. O problema é que, com parte da produção sendo enviada ao exterior, sobra menos no mercado interno, e o preço aqui dentro sobe. 

— O Brasil é um dos maiores produtores de soja do mundo, mas, quando a demanda internacional cresce, o óleo que usamos na cozinha acaba ficando mais caro — explica Lazaro Ribeiro.

Dólar 

Além disso, o dólar alto também pesa. Como boa parte das commodities é negociada em moeda americana, quando o dólar sobe, o custo de importação e produção aumenta, afetando o bolso do consumidor. 

— O preço da gasolina, por exemplo, sobe rápido porque o petróleo é cotado em dólar — comenta Lazaro.

E quem sente isso na prática é o consumidor. 

— Toda semana o valor muda. A gente tenta fazer a mesma compra, mas sempre falta alguma coisa. O óleo, então, está um absurdo — desabafa o instrutor de educação física, Thiago Ferreira.

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