Supermercados projetam forte demanda nas festas de fim de ano

Jorge Guimarães
O setor supermercadista mineiro inicia o último trimestre do ano com otimismo renovado. A expectativa é de um Natal “gordo”, com desempenho 6,8% superior ao de 2024, conforme projeção divulgada pela Associação Mineira de Supermercados (Amis). O levantamento, realizado com 110 empresários de todo o estado entre os dias 2 e 13 de outubro, reflete a confiança do setor em um período tradicionalmente marcado pelo aumento do consumo. Os dados foram apresentados pelo presidente do Conselho Diretor da Amis, Alexandre Poni, e pelo presidente executivo da entidade, Antônio Claret Nametala, durante a abertura da 37ª Superminas, edição histórica que comemora os 40 anos de criação do maior e mais importante evento do setor supermercadista em Minas Gerais.
Segundo a Amis, o resultado positivo esperado é impulsionado por um cenário econômico mais estável, pela redução gradual da inflação e pela recuperação do poder de compra das famílias. Esses fatores, conforme a Associação, aliados às estratégias de promoções, variedade e inovação nos pontos de venda, devem contribuir para um fim de ano de boas vendas e confiança renovada no setor.
Sem álcool
Entre os produtos que devem impulsionar esse crescimento, a cerveja sem álcool aparece como destaque, com previsão de alta de 9,3% no consumo neste fim de ano. A tendência reflete mudanças no comportamento do consumidor, que tem buscado alternativas mais leves e adequadas a diferentes ocasiões de consumo, inclusive durante as celebrações natalinas.
Mudança de hábito
Para o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (Abras), João Galassi, o crescimento previsto para o consumo de cervejas sem álcool neste fim de ano reflete uma mudança significativa no comportamento do consumidor brasileiro, que tem demonstrado maior preocupação com hábitos saudáveis e bem-estar.
Segundo ele, essa transformação está diretamente ligada a novas tendências de estilo de vida e até mesmo ao avanço de produtos farmacológicos que influenciam os hábitos alimentares.
— O advento das canetas emagrecedoras está mudando a forma de consumo do brasileiro. Um estudo mostra que as canetas para emagrecer estão tirando, até, o desejo de consumo de álcool — exemplificou Galassi.
Consumo
O levantamento revela ainda que o desempenho das cervejas sem álcool neste fim de ano deve superar o das bebidas alcoólicas tradicionais. Enquanto o consumo das cervejas comuns e dos vinhos deve registrar um aumento médio de 7,9%, as versões sem teor alcoólico devem crescer 9,3%. Já em relação a outros itens, a categoria sucos fica com 6,1%, enquanto, em refrigerantes, a demanda será 5,8% maior sobre o período do ano passado.
— O resultado reforça o movimento de transformação no perfil do consumidor, que busca equilíbrio entre celebração e bem-estar, especialmente em datas festivas como o Natal. Essa mudança também está associada à ampliação da oferta e à melhoria da qualidade das bebidas sem álcool, que hoje conquistam até mesmo consumidores habituais de produtos alcoólicos — avalia o gerente de loja de supermercado, Sérgio Antônio de Oliveira.
Projeções
As projeções são de crescimento da demanda também nos mais diversos itens que compõem a cesta de compras típicas do período. Frutas diversas “in natura”, por exemplo, terão expansão de 8,6% na demanda. O de panetone deve crescer 6,7%, se confirmadas as expectativas dos pesquisados.
Tendências
Quando questionados sobre as categorias de produtos com maior potencial de crescimento nas vendas de fim de ano, além das já destacadas nas projeções da Amis, os supermercadistas apontaram tendências claras no comportamento do consumidor.
Entre os itens mais citados estão os produtos embalados para churrasco, especialmente os vendidos em “kits”, que reúnem carnes e acompanhamentos prontos para o preparo. Também ganham espaço os alimentos prontos ou pré-prontos, além dos cortes temperados tipo “na brasa”, que oferecem praticidade e conveniência para quem quer celebrar sem abrir mão de sabor e rapidez na cozinha.
Qualidade e não quantidade
Outra forte aposta do setor está nos produtos premium, reflexo de um consumidor mais exigente e disposto a priorizar qualidade em vez de quantidade. A projeção é de que, nas festividades de fim de ano, muitos brasileiros optem por incluir itens diferenciados e de maior valor agregado na cesta de compras, tornando as celebrações mais sofisticadas e personalizadas.
— Essa combinação de conveniência, experiência e qualidade deve marcar o perfil de consumo neste Natal, impulsionando as vendas e fortalecendo a diversidade de produtos nas prateleiras — destaca o gerente Sérgio Antônio.
Desafios
Ao serem questionados sobre o maior desafio enfrentado pelas empresas ao longo de 2025, os supermercadistas mineiros apontaram, de forma quase unânime, um problema que tem se consolidado como o principal gargalo do setor: a dificuldade em contratar mão de obra.
De acordo com o levantamento da entidade, 90,6% dos empresários afirmaram que a contratação de pessoas foi o maior obstáculo enfrentado neste ano. O dado, segundo ela, evidencia um cenário de escassez de profissionais qualificados e de alta rotatividade, fatores que impactam diretamente o atendimento e a produtividade das lojas.
Outros 9,4% dos entrevistados mencionaram desafios como a alta dos juros, os custos operacionais elevados e o aumento da concorrência como pontos de atenção em 2025.
Vagas temporárias
Nesta época do ano, quando os departamentos comerciais das empresas estão finalizando os acordos para compras que vão abastecer as lojas no período de maior demanda, os departamentos de Recursos Humanos também vão a campo para reforçar as equipes de atendimento e todo o quadro da loja. Segundo o levantamento feito pela Associação, cerca de 8.200 novos colaboradores devem integrar os quadros do setor em caráter temporário, se forem preenchidas todas as vagas abertas.
Ainda de acordo com o levantamento, 59,4% das empresas vão contratar colaboradores de forma temporária e 40,6% dos supermercadistas responderam que não costumam abrir vagas temporárias.
Efetivação
Um total de 61% dos entrevistados, conforme os dados, afirmou que as contratações funcionam também como uma forma de atrair talentos para reforçar o quadro durante todo o ano. A justificativa, segundo os números, é que o contrato por ser temporário pode atrair a atenção de muitos jovens ou demais candidatos que pretendam ficar apenas um período, mas se identificam com o trabalho no setor e podem se tornar efetivos.
Setor supermercadista mineiro
Com 47,6 mil lojas ativas e presença em todos os 853 municípios de Minas Gerais, o setor supermercadista é um dos segmentos mais representativos da economia estadual. Em 2024, registrou crescimento real de 3,84% e faturamento de R$ 124,7 bilhões, o que equivale a 11,76% do Produto Interno Bruto (PIB) mineiro. O setor emprega diretamente 500.761 pessoas, sendo mais de 60% em seu primeiro emprego, consolidando-se como um dos pilares da geração de renda, trabalho e desenvolvimento econômico no estado.
Para 2025, as projeções indicam a abertura de 80 novas lojas, que devem gerar cerca de 8.400 empregos diretos.
Até agosto, o segmento já havia contabilizado a inauguração de 45 unidades, responsáveis pela criação de 4.125 novos postos de trabalho, demonstrando um ritmo consistente de crescimento.
Outro dado importante aponta também que o consumo acumulado entre janeiro e agosto registrou alta de 2,98%, com projeção de crescimento real de 3,30% até o encerramento deste ano.
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