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PANCs e sua importância para a alimentação

Por Bruno
PANCs e sua importância para a alimentação

O Brasil é agraciado com mais de 46.000 plantas, segundo o RBG 2017. Apesar dessa rica oferta pela natureza, o homem utilizou ao longo de toda a sua história, cerca de mil espécies para alimentos, conforme FAO 2018 e atualmente cultiva cerca de 300 para diversas finalidades como alimentação por exemplo. Dessas, apenas 15 espécies (arroz, trigo, milho, soja, sorgo, cevada, cana-de-açúcar, beterraba, feijão, amendoim, batata, batata-doce, mandioca, coco e banana) representam 90% da alimentação do mundo.

Essa vasta oferta de plantas, enriquece o prato de milhares de pessoas diariamente, pois, promove segurança alimentar nutricional sustentável e consequentemente contribui com a saúde dos indivíduos. Segundo a OMS, Segurança alimentar é o direito de todos ao acesso regular e permanente a alimentos de qualidade, em quantidade suficiente, sem comprometer o acesso a outras necessidades essenciais tendo como base práticas alimentares promotoras da saúde, que respeitam a diversidade cultural e que sejam social, econômica e ambientalmente sustentáveis.

De acordo com Ministério do Meio Ambiente MMA, 15 a 20% da biodiversidade existente em âmbito mundial, o Brasil é o principal país de biodiversidade, e o mais relevante entre os 17 países conhecidos como megadiversos e além dessa riqueza de espécies, o Brasil possui ainda um dos maiores remanescentes de ecossistemas tropicais.

Buscando a ampliação de fontes de nutrientes disponíveis à população e à promoção da soberania e segurança alimentar, tem sido dada maior atenção à necessidade de diversificação das espécies vegetais consumidas. Nesse sentido, as PANCs plantas alimentícias não convencionais vêm de encontro à essa necessidade e podem ser consideradas essenciais para a consolidação de práticas alimentares que promovam a soberania e segurança alimentar.

As PANCs são Plantas Alimentícias Não Convencionais que fazem parte da diversidade biológica do mundo. Elas possuem valor nutricional e podem ser utilizadas de diversas maneiras. Muitas vezes consideradas "mato" ou "ervas daninhas", são ricas em nutrientes e podem ser facilmente cultivadas em casa, são excelentes fontes de fibras, proteínas, vitaminas e minerais, e podem ajudar a prevenir doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e câncer.

As PANCs crescem espontaneamente e são fáceis de cultivar, o que as torna adaptáveis a diferentes ambientes e contribui para um baixo impacto ambiental. Além disso, elas faziam parte da cultura e alimentação local no passado, então seu consumo é uma forma de resgatar costumes regionais. Isso as torna ambiental e culturalmente responsáveis.

Algumas das principais PANC’s segundo o Ministério da Saúde: 1 – Ora-pro-nóbis: uma das mais famosas dentre as PANCs, o nome Ora-pro-nóbis significa “rogai por nós” em latim, que em tupi-guarani significa “planta que produz frutos com muitos espinhos finos”. Conhecida como “carne verde” por seu elevado teor de proteína, ela assume uso tradicional muito significativo em algumas regiões de Minas Gerais e Goiás, especialmente nas cidades históricas coloniais. 2 – Peixinho: a hortaliça leva este nome graças ao formato da folha quando preparada e ao sabor peculiar, que lembra um lambari frito, uma espécie de peixe. No Brasil, o peixinho é cultivado nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste em locais de clima ameno, pois não tolera calor excessivo 3 – Fisális: essa fruta tem ganhado o espaço entre os confeiteiros.

Devido ao seu formato característico, a Fisális virou artigo de decoração de doces e tortas. Ela apresenta uma proteção, em forma de balão, que envolve o fruto, e que se torna seca assim que o fruto amadurece. 4 – Vinagreira: da flor da vinagreira é feito o famoso chá de hibisco, que possui um importante efeito diurético e é amplamente consumido entre as pessoas. Já as folhas desta planta servem como ingrediente básico do principal prato da culinária maranhense: o arroz de cuxá. Por esse motivo, no Maranhão, a vinagreira ocupa um lugar de destaque na culinária local. Desde 2000, a planta virou Bem Imaterial do Patrimônio Cultural Brasileiro. 5 – Azedinha: o termo azedinha vem de seu sabor ácido, bem característico dessa espécie. Pode substituir o limão nos temperos para salada, por isso também recebe o nome popular de “salada pronta”.

Essas plantas podem ser consumidas de várias maneiras, como em saladas, refogados, chás e até mesmo como ingrediente em receitas tradicionais. Para quem ainda não tem hábito de consumir as PANCs, seguem algumas dicas importantes: 1 - comece com pequenas quantidades e aumente gradualmente. 2 - Experimente diferentes tipos de PANCs para encontrar as que você gosta. 3 - Aprenda a preparar PANCs de forma segura e criativa. 4- Compartilhe suas experiências e receitas com amigos e familiares. 5- Consulte o nutricionista antes de fazer qualquer mudança significativa em sua dieta.

O Conselho Federal de Nutricionistas CFN e o Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável apoiam a utilização de alimentos locais e sustentáveis, bem como o uso das PANC’s para promover a saúde e o bem-estar e segurança alimentar e nutricional. Além disso, o CFN destaca a importância da valorização do nutricionista e sua atuação na promoção da saúde e na garantia do direito à alimentação adequada. Cada indivíduo é único e buscar ajuda profissional para ajuste na alimentação é imprescindível para uma conduta alimentar assertiva e alcance dos objetivos.

Jeannine Carla Antunes – CRN9- 5402. Nutricionista formada pela Universidade José do Rosário Vellano. Pós-graduada em Nutrição Materno Infantil pela UFV.  Pós-graduada em Fitoterapia pela Facop. Professora do curso de Nutrição da UNA Divinópolis e Bom Despacho. Membro da Associação Mineira de Nutricionistas (Asmin). Membro do Conselho de Segurança Alimentar e Nutricional de Divinópolis. 

Email: jeanninenutri@hotmail.com

Tel.: 37-98838-8833

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