O setembro amarelo e o cuidado com a vida o ano todo!

Com a chegada do mês de setembro e da primavera, a campanha do setembro amarelo nos convida a falar sobre um tema que, muitas vezes, ainda é cercado pelo silêncio, medo e estigma: a saúde mental e a prevenção do suicídio. Mais do que uma campanha, este período representa uma oportunidade para refletirmos sobre a importância de olhar para o outro com mais atenção, acolhimento e humanidade e também para aprendermos a olhar para nós mesmos com mais cuidado. Como profissional da psicologia, considero fundamental lembrar que falar sobre sofrimento emocional não é sinal de fraqueza. Todos nós, em algum momento da vida, podemos experimentar sentimentos de tristeza, solidão, angústia, desesperança ou exaustão. Nem sempre conseguimos expressar aquilo que sentimos e, muitas vezes, por trás de um sorriso, de uma rotina aparentemente normal ou de um “está tudo bem”, pode existir alguém enfrentando uma dor que não sabemos nomear. Valorizar a vida começa quando compreendemos que ninguém precisa enfrentar seus sofrimentos sozinho. Escutar sem julgamentos, acolher sem minimizar e oferecer presença podem ser atitudes simples, mas profundamente significativas. Frases como “isso vai passar”, “você precisa ser forte” ou “há pessoas em situações piores” podem acabar afastando quem precisa de ajuda. Em seu lugar, podemos dizer: “Estou aqui para ouvir você”, “Você não precisa passar por isso sozinho” ou “Vamos procurar ajuda juntos”. A prevenção, a promoção e o cuidado da saúde mental, também passa pelo reconhecimento dos sinais de sofrimento. Mudanças importantes no comportamento, isolamento, desesperança, perda de interesse pelas atividades, alterações significativas no sono ou na alimentação e falas relacionadas à morte ou à ausência de sentido merecem atenção. Esses sinais não devem ser tratados com indiferença ou julgamento, mas como possibilidades de que aquela pessoa esteja precisando de cuidado. Nesse sentido, buscar ajuda profissional é um ato de coragem. A psicologia como ciência e profissão pode oferecer espaços seguros para compreender sentimentos, desenvolver estratégias de enfrentamento e construir novas possibilidades diante das dificuldades. Pedir ajuda não significa que alguém fracassou; significa reconhecer que, em determinados momentos, precisamos de apoio para continuar caminhando. Também é importante conhecer o CVV – Centro de Valorização da Vida, (cvv.org.br) que oferece apoio emocional gratuito e sigiloso para pessoas que desejam conversar e estejam sem situação com pensamentos e ideações suicidas. O atendimento pode ser realizado pelo telefone 188, durante 24 horas, todos os dias, além de outros canais disponibilizados pelo serviço. Também vale lembrar, que o setembro amarelo termina no calendário, mas o compromisso com a valorização da vida precisa permanecer durante todo o ano. Que possamos construir uma sociedade em que falar sobre sofrimento não seja motivo de vergonha, em que pedir ajuda seja visto como um ato de coragem e em que a escuta seja uma forma cotidiana de cuidado. Às vezes, não precisamos ter a resposta certa, e sim estar presentes o suficiente para ouvir.
Valorizar a vida é reconhecer que toda história importa, que toda dor merece ser acolhida e que sempre vale a pena buscar ajuda e construir novas possibilidades.
Karla Patrícia P. F. Dornelas
Psicóloga/Neuropsicológa
Professora da UNA Divinópolis
CRP 04/ 36 808
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