Além do casaco: o cuidado com a hidratação no inverno

Quando os termômetros despencam, nossa rotina muda completamente. Trocamos as roupas leves pelos casacos pesados, mudamos nosso cardápio para preparações mais quentes e aconchegantes e, quase sem perceber, deixamos de lado aquela garrafinha de água que nos acompanhava fielmente no verão.
A verdade é que a desidratação no inverno é um dos maiores desafios invisíveis para a saúde e para a performance metabólica. Ela acontece de forma silenciosa, sabotando seu rendimento, sua imunidade e até mesmo o aspecto da sua pele, sem que você sinta uma gota de suor escorrer pelo corpo.
Por que a Sede "Some" no Frio? Para resolver um problema, primeiro precisamos entender como funciona dentro do nosso corpo. No calor, o mecanismo da sede é óbvio, nós suamos, a temperatura corporal sobe, a boca fica seca e o cérebro rapidamente nos envia o sinal de que precisamos de água.
No inverno, ocorrem três fenômenos fisiológicos principais que "enganam" o nosso organismo. Vasoconstrição Periférica: Para evitar a perda de calor para o ambiente, nosso corpo contrai os vasos sanguíneos das extremidades (mãos e pés) e direciona o fluxo de sangue para os órgãos vitais no centro do corpo.
Redução do sinal de sede: Com mais sangue concentrado no centro do corpo, os receptores de pressão arterial interpretam que o volume de fluidos está excelente. Por causa disso, o cérebro deixa de liberar de forma eficiente a vasopressina, o hormônio antidiurético (ADH) que regula a nossa sensação de sede. Resultado, seu corpo está precisando de água, mas seu cérebro simplesmente não te avisa.
Dificuldade Respiratória: No frio, o ar que respiramos é mais seco. Para proteger nossos pulmões, o organismo precisa umidificar e aquecer esse ar antes que ele chegue aos alvéolos. Nós perdemos uma quantidade massiva de água apenas respirando (aquela "fumaça" que sai da boca no frio nada mais é do que vapor de água precioso indo embora).
Quando você reduz drasticamente o consumo de líquidos, o corpo inteiro sofre as consequências. Há uma queda na Imunidade, as mucosas do nariz e da garganta são nossas primeiras barreiras de defesa contra vírus e bactérias. Sem hidratação adequada, essas mucosas ressecam e racham, facilitando a entrada de patógenos (microorganismos causadores de doenças), o que explica o aumento de gripes e resfriados nessa época.
O cérebro muitas vezes confunde os sinais de desidratação leve com fome ou cansaço extremo. Você sente aquela vontade incontrolável de comer carboidratos e doces à tarde quando, na verdade, seu corpo só precisava de dois copos de água para restabelecer o equilíbrio osmótico.
Bater a meta de hidratação no inverno não precisa ser uma tortura. A água em temperatura ambiente ou levemente morna é muito mais fácil de ser deglutida no frio. O choque térmico da água gelada em um dia de inverno gera um desconforto imediato na garganta, o que faz com que você beba apenas pequenos goles para aliviar a boca seca, em vez de se hidratar de verdade.
Os chás são os melhores aliados do inverno. Eles aquecem o corpo e contam diretamente para a sua meta diária de hidratação. Chá de camomila, erva-doce, hortelã, gengibre com limão ou hibisco são excelentes opções. Só tome cuidado com os chás muito diuréticos perto do horário de dormir para não atrapalhar o sono.
A hidratação também vem do prato. Sopas, caldos caseiros ricos em vegetais e frutas com alto teor de água são perfeitos para complementar o aporte hídrico diário.
Para garantir que você não vai esquecer, estabeleça pequenas metas ao longo do dia. Tente fracionar a quantidade de água ao longo do dia, tome 300 ml logo ao acordar (em temperatura ambiente ou levemente morna, se preferir), mantenha uma garrafa térmica de chá na sua mesa de trabalho e utilize aplicativos de celular ou alarmes para te lembrar de dar alguns goles a cada hora.
Não espere sentir sede para beber água. No frio, a sede é um sinal tardio de que seu corpo já está funcionando no limite. Cuide do seu corpo de dentro para fora e mantenha o seu metabolismo ativo e saudável durante toda a estação!
Paulo Henrique Alves de Sousa
Mestre em Ciências pela UFSJ
Coordenador de curso da Faculdade UNA Divinópolis
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