Polícia Militar apreende 112 armas de fogo no ano de 2026 em Divinópolis
Ocorrência registrada nesta terça-feira elevou número de apreensões na cidade após arsenal encontrado no Belvedere II

Um levantamento realizado pela Polícia Militar nesta quarta-feira, 7, apurou que 112 armas de fogo e 16 simulacros foram apreendidos neste ano em Divinópolis. O número foi impulsionado por uma ocorrência registrada na noite de terça-feira, 6, no bairro Belvedere II, onde a Polícia Militar encontrou um verdadeiro arsenal escondido em um lote vago.
Operação
A ocorrência começou durante patrulhamento do Tático Móvel nas proximidades da Praça Otaviano Silveira. Os militares visualizaram um veículo em atitude suspeita e, ao perceber a presença da equipe, o condutor aumentou a velocidade e fugiu pelas ruas do bairro. Após acompanhamento, o veículo foi abordado.
Durante as buscas, os policiais encontraram três porções de uma substância semelhante a haxixe e R$ 474 em dinheiro. As diligências continuaram nas proximidades do trajeto percorrido pelo automóvel, até que os militares localizaram uma bolsa escondida em um lote vago.
Dentro dela estavam três pistolas, oito carregadores e munições de diferentes calibres, incluindo 9mm, .380 e .44, além de outros materiais. Uma das armas foi identificada como produto de furto. A procedência das demais também será investigada.
Ao todo, quatro homens, com idades entre 23 e 27 anos, foram conduzidos à Delegacia de Polícia Civil juntamente com o material apreendido. A ocorrência será investigada pelas autoridades responsáveis.
Apreensões
A quantidade de armas encontrada em uma única ocorrência representa uma parcela expressiva do total contabilizado em Divinópolis ao longo do ano. Até então, o município já havia registrado dezenas de apreensões, mas o caso do Belvedere II provocou um aumento significativo no acumulado de 2026.
Além das 112 armas de fogo, o levantamento registra 16 simulacros apreendidos na cidade. Os simulacros são réplicas que apresentam aparência semelhante à de armas reais e, embora não tenham a mesma capacidade de disparo, também podem ser utilizados em crimes, especialmente para ameaças e roubos.
O caso chama atenção ainda pela variedade do armamento localizado. As três pistolas estavam acompanhadas por oito carregadores e munições de diferentes calibres, material que agora passa por procedimentos de investigação para identificar sua origem e eventual relação com outras ocorrências.
A apreensão também ocorre em um cenário mais amplo de combate à circulação ilegal de armas no país. Dados analisados pelo Instituto Sou da Paz, com base em informações do Ministério da Justiça e Segurança Pública, mostram que o Brasil retirou de circulação mais de 100 mil armas em 2025.
Brasil
Segundo análise publicada pela CNN Brasil, 107.746 armas foram apreendidas no país em 2025, o segundo maior número registrado no período entre 2021 e 2025. O levantamento aponta que o Brasil mantém um volume elevado de apreensões, mas também identifica mudanças no perfil dos armamentos e na distribuição territorial dessas ocorrências.
Entre as principais mudanças está o crescimento da participação das pistolas nas apreensões. De acordo com a análise, elas representavam 20,7% do total no início da série e chegaram a 27,8% em 2025. Já os revólveres caíram de 38,6% para 33,5%. Os fuzis, embora ainda representem uma parcela menor das apreensões, também ganharam espaço, passando de 0,7% para 2% no período analisado.
O estudo também aponta uma mudança na distribuição regional das apreensões. A participação do Sudeste caiu de 41% em 2021 para cerca de 36% em 2025, enquanto o Nordeste passou de 25% para 33%. Os pesquisadores relacionam essa alteração à expansão de organizações criminosas de atuação nacional, disputas territoriais e novos arranjos locais do crime organizado.
Mercado ilegal
Apesar do alto número de apreensões, a análise aponta que o mercado ilegal de armas no Brasil também passou por mudanças nos últimos anos. O estudo destaca o crescimento da participação de pistolas e a maior importância do mercado doméstico no abastecimento do crime organizado.
Armas legalmente adquiridas podem chegar ao mercado criminoso por meio de desvios, roubos e intermediários, enquanto também há registros de fabricação clandestina. Para os pesquisadores, além de retirar armamentos de circulação, é necessário investigar a origem das armas e rastrear os caminhos percorridos até chegarem às mãos de criminosos.
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