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Economia

Preço do PF está em alta 

Preço do PF está em alta 

 Jorge Guimarães 

A alta nos preços de determinados alimentos tem sido uma preocupação crescente, afetando não só o custo das refeições preparadas em casa, mas também o valor em restaurantes e estabelecimentos similares. Vários fatores contribuem para esse aumento, incluindo mudanças climáticas, flutuações nos mercados de commodities e desafios logísticos. Diante da constatação, o consumidor viu o tradicional PF com arroz, feijão, batata, ovo, salada e bife, que é uma ótima opção para quem come fora de casa e não quer gastar muito, subir em média, 0,95%,  nos últimos dias. 

Segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA) registrou uma alta de 0,36% nos preços, em março, com a maior influência vinda do grupo de alimentação e bebidas. 

Fatores 

Em primeiro lugar, as mudanças climáticas têm desempenhado um papel significativo no aumento dos preços dos alimentos. Eventos climáticos extremos, como secas prolongadas, inundações e ondas de calor, podem afetar negativamente as colheitas, reduzindo a oferta de alimentos básicos e aumentando seus custos. Por exemplo, a escassez de chuvas em determinadas regiões pode levar a uma menor produção de grãos, o que impacta diretamente, como exemplo,  os preços do pão, massas e outros produtos à base de trigo.

 Além disso, conforme o economista Leandro Maia, as flutuações nos mercados de commodities têm um impacto significativo nos preços dos alimentos. 

 — A oferta e demanda globais, juntamente com fatores geopolíticos e econômicos, podem levar a oscilações nos preços de produtos como o arroz, óleo de cozinha, carne e laticínios. Essas flutuações são então repassadas para os consumidores finais, tanto nos supermercados quanto nos restaurantes — avalia. 

Logística

Outro aspecto a considerar, conforme o economista, são os desafios logísticos, especialmente em períodos de instabilidade econômica ou crises globais, como pandemias. Interrupções na cadeia de suprimentos, aumento dos custos de transporte e dificuldades na distribuição dos alimentos podem elevar, segundo ele, os preços em todos os estágios, desde a produção até o consumo final.

— Essas pressões nos preços dos alimentos têm um impacto significativo nas refeições, tanto dentro de casa quanto fora. As famílias podem se ver obrigadas a ajustar seus orçamentos para lidar com os custos crescentes dos alimentos, enquanto os restaurantes podem precisar aumentar os preços de seus pratos para compensar os aumentos nos custos dos ingredientes —pontua.

O economista diz que, em resumo, a alta nos preços de certos alimentos é um desafio complexo, com implicações para os consumidores e para o setor de serviços alimentícios.

Preços 

Com o preço da carne mais em conta, o que está deixando o prato mais caro é o aumento dos hortifrutis, inclusive a batata, que no último mês subiu quase 7%. E seguida o que mais pesa no tradicional 

PF é o arroz, com alta de mais de 30% nos últimos 12 meses. 

— Tivemos que reajustar nossos preços, mas sem repassar um custo total. O aumento ficou em média 5%, em relação ao preço praticado no fim do ano passado. Mas mesmo assim estamos buscando os melhores fornecedores e negociando ao máximo, para reduzir os custos e manter as refeições sem mais aumentos — disse o gerente de um estabelecimento de alimentos, Paulo Roberto. 

A comerciária Gláucia Rocha, retornou ao hábito de levar a tradicional marmita para o serviço.

— Nos últimos meses estava almoçando aqui perto do serviço mesmo. Uma comida caseira, com um preço relativamente acessível. Mas tive que voltar a trazer minha marmita de casa, pois subiu e a melhor opção foi recorrer a marmita novamente  — avaliou Gláucia. 

Em outro empreendimento comercial, o preço do prato feito  era de R$ 10 até fevereiro e hoje passou a R$ 12, aumento na casa dos 20%. 

— Tive que reajustar o preço, pois estava trabalhando com ele desde julho do ano passado. Ai não consegui segurar mais e tive que repassar para o consumidor final. Mas mesmo assim, ainda está com um ótimo preço, se for olhar para a concorrência aqui no entorno — argumentou a proprietária, Ângela Márcia Pinheiro. 

Estratégias 

Com o aumento dos preços dos alimentos, muitas pessoas estão procurando maneiras criativas e econômicas de manter uma alimentação saudável sem comprometer o orçamento. E as opções para driblar esses aumentos são inúmeras, dependendo de cada estratégia a ser levada. Como é o caso da aposentada Lúcia Martins, que se propôs a fazer uma pesquisa e planejamentos antes de ir às compras. 

Assim, faço um planejamento semanal das refeições para evitar compras impulsivas e desperdício de alimentos. Ao planejar com antecedência, eu só vou comprar apenas o que é necessário e aproveitar melhor as promoções. Passei também a ir mais nos mercadinhos e feiras que podem oferecer produtos frescos a preços mais acessíveis do que os supermercados — lembrou a aposentada. 

Substituir ingredientes caros por alternativas mais baratas foi uma das opções do garçom Fernando Gonçalves. 

— Substituímos a carne de boi por frango, em vários pratos, bem como passamos a comprar outras marcas com preços mais acessíveis. E também ficamos de olho em promoções e comparamos os preços em diferentes estabelecimentos antes de fazer as compras — disse. 

Foto/Divulgação

O arroz com feijão está mais caro neste início de ano 

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