Prefeitura recusa contraproposta e greve dos servidores de Bambuí continua, informa Sintram

Da Redação
O Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Centro-Oeste de Minas (Sintram) divulgou o boletim oficial do segundo dia da greve dos servidores municipais. A paralisação, iniciada na última terça-feira, 24, segue sem prazo definido para encerramento. Segundo o sindicato, a mobilização mantém força e adesão significativa entre os servidores.
Pela manhã, os grevistas se concentraram em frente à sede da Prefeitura Municipal, no Paço Municipal, e realizaram atos públicos ao longo do dia. A programação incluiu panfletagem e bandeiraço na Praça Coronel Torres, com o objetivo de ampliar o diálogo com a população sobre as razões do movimento.
Relembre
A greve tem como ponto central a revogação da Lei Complementar 001/2025, que extingue diversos cargos efetivos e, segundo o Sintram, compromete a sustentabilidade do regime próprio de previdência municipal (Previbam).
O sindicato alerta que a falta de novos concursados pode gerar déficit previdenciário a ser coberto pela Prefeitura, criando uma dívida que o orçamento local não comportaria.
Tentativas de negociação
De acordo com o Sintram, o prefeito Firmino Júnior não compareceu ao local nem se pronunciou oficialmente sobre o andamento das reivindicações. Um assessor do Executivo teria tentado apresentar uma proposta informalmente, sem documento assinado ou protocolado.
Com isso, o presidente do Sintram, Marco Aurélio Gomes, rejeitou a abordagem.
— Propostas só valem se vierem por ofício, com registro e assinatura, não em cochichos no meio da rua — afirmou.
O sindicato também contestou informações divulgadas pela Prefeitura de que as atividades nas escolas municipais estariam normalizadas. Segundo o boletim, as unidades urbanas seguem operando majoritariamente com servidores contratados sob pressão, enquanto concursados permanecem em greve.
Termos
A proposta apresentada pelo Executivo abordava três pontos principais: a criação de uma comissão para discutir os cargos de um novo concurso público, com previsão de início apenas em 25 de junho de 2027; a abonação das faltas dos servidores que aderiram à greve; e a revisão do vale-alimentação, sem definição de índice ou prazo para reajuste.
Em resposta, o Sintram realizou uma assembleia com a participação de cerca de 60 servidores e formalizou uma contraproposta. O sindicato sugeriu a formação de uma comissão mista, composta por representantes da Administração e dos trabalhadores, para discutir e definir os cargos a serem incluídos no novo concurso, com prazo final para homologação até 25 de junho de 2027. Além disso, solicitou o abono das faltas relacionadas à paralisação e o reajuste do vale-alimentação para o valor de R$ 20,00, a partir de setembro de 2025.
Contraproposta recusada
Segundo informou o sindicato, todos os pontos da contraproposta foram recusados pela Prefeitura no início da noite do mesmo dia.
— A greve continua sem prazo para cessar, até que o prefeito revogue a LC 001/2025 e sente à mesa de negociação com o Sintram — informou a assessoria.
Denúncia
O presidente do Sintram também denunciou práticas que classificou como intimidação por parte da administração, como remanejamentos indevidos e descontos considerados ilegais no ponto dos grevistas. A entidade afirma que já acionou o Ministério do Trabalho e pretende levar o caso à Câmara Municipal caso a situação persista.
Em vídeo publicado nas redes sociais do sindicato, Marco Aurélio declarou que todas as secretarias municipais — incluindo Saúde, Educação, Transporte, Obras e Creches — estão paralisadas.
— Essa greve é resultado direto da política de desmonte. A Lei Complementar 001/2025 elimina cargos e corrói nossa carreira — disse.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
