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Primeiro LIRAa de 2026 indica cenário controlado em MG, mas mantém alerta

Primeiro LIRAa de 2026 indica cenário controlado em MG, mas mantém alerta

Jonny Reisle

O primeiro Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti (LIRAa) de 2026 foi divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais (SES/MG), e os dados evidenciados por ele apontam um cenário considerado dentro do esperado para o período em todo o estado.

Apesar disso, o órgão reforça que o resultado não afasta o risco de transmissão de doenças e mantém o alerta para a circulação de dengue, chikungunya e zika, especialmente nos meses mais quentes e chuvosos do ano.

Números

De acordo com os parâmetros estabelecidos pelo Ministério da Saúde, um índice inferior a 1% é considerado satisfatório; entre 1% e 3,9% representa situação de alerta; e acima de 4% indica risco elevado de surto. O levantamento divulgado neste início de 2026 mostra que, de forma geral, Minas Gerais se encontra dentro da faixa esperada para o período, mas com municípios ainda em níveis de atenção.

Entre as cidades que realizaram o LIRAa entre janeiro e março, 213 apresentaram índice satisfatório, enquanto 422 ficaram em situação de alerta. Outros 184 municípios foram classificados em situação de risco, o que reforça a necessidade de monitoramento constante e ações preventivas contínuas em todo o estado.

Especialistas destacam que o resultado do LIRAa deve ser interpretado como um retrato momentâneo da situação. Isso porque fatores climáticos, como chuvas frequentes e altas temperaturas, podem alterar rapidamente o cenário, favorecendo a proliferação do mosquito em curto espaço de tempo. Por isso, mesmo em situações consideradas controladas, o risco de aumento de casos permanece.

Como o procedimento é feito?

O LIRAa é uma das principais ferramentas utilizadas pelas autoridades de saúde para medir a infestação do mosquito nos municípios. A metodologia consiste em visitas técnicas a imóveis previamente selecionados, onde agentes de endemias realizam inspeções detalhadas em busca de larvas do Aedes aegypti. A partir dessas informações, é calculado o Índice de Infestação Predial (IIP), que indica o percentual de residências com presença do vetor.

Foco de reprodução do Aedes

Outro dado relevante apontado pelo levantamento diz respeito aos principais criadouros do mosquito. Em Minas Gerais, assim como em outras regiões do país, a maioria dos focos continua sendo encontrada em ambientes domiciliares. Recipientes que acumulam água parada são os principais vilões, incluindo caixas d’água destampadas, calhas obstruídas, vasos de plantas, baldes, garrafas, pneus e até pequenos objetos descartados de forma inadequada.

Esse cenário se repete em Divinópolis, onde o primeiro LIRAa municipal, cujo resultados foram divulgados em janeiro, revelou que cerca de 90% dos focos do Aedes aegypti estão localizados dentro das residências. O dado reforça a importância do engajamento da população no combate ao mosquito, uma vez que a maior parte dos criadouros está em locais de difícil acesso para o poder público.

Segundo a administração municipal, o levantamento demonstra que ações simples no dia a dia podem ter impacto direto na redução dos índices de infestação. A eliminação de água parada, muitas vezes em pequenos recipientes, é considerada a medida mais eficaz para interromper o ciclo de reprodução do mosquito, que pode se desenvolver rapidamente em condições favoráveis.

Casos em Divinópolis

Além do levantamento, a Prefeitura de Divinópolis também divulgou nesta segunda-feira, 13, o mais recente boletim epidemiológico, que aponta a continuidade da circulação das arboviroses no município. 

Os dados indicam registros de casos suspeitos e confirmados de dengue, com um óbito confirmado e dois em investigação pela doença, chikungunya e zika ao longo das últimas semanas, mantendo o sistema de saúde em estado de atenção. Embora não haja, neste momento, indicação de colapso, o cenário exige vigilância constante para evitar o avanço das doenças.

Diante desse contexto, a Secretaria de Estado de Saúde reforça que a prevenção continua sendo a estratégia mais eficaz no combate às arboviroses. Entre as principais recomendações estão manter caixas d’água sempre vedadas, limpar regularmente calhas e ralos, evitar o acúmulo de água em lajes e quintais, descartar corretamente o lixo e manter garrafas viradas para baixo. Pratos de plantas devem ser preenchidos com areia, e recipientes como baldes e bacias devem ser armazenados em locais cobertos.

Contribua para o combate

A orientação também inclui atenção a pontos menos visíveis, como bandejas de geladeiras, ralos externos, telhados e áreas pouco frequentadas das residências. Pequenos descuidos nesses locais podem ser suficientes para a formação de criadouros e, consequentemente, para o aumento da infestação do mosquito.

Outro ponto destacado pelas autoridades é a importância de permitir a entrada dos agentes de combate a endemias nas residências, desde que devidamente identificados. Esses profissionais desempenham papel fundamental na identificação de focos, na orientação da população e no direcionamento de ações estratégicas de controle.

O combate ao Aedes aegypti é considerado uma responsabilidade compartilhada entre o poder público e a população. Em Divinópolis, o alerta é claro: a maior parte do problema está dentro das casas. Por isso, a mudança de comportamento da população é apontada como fator decisivo para evitar o aumento de casos ao longo de 2026. A adoção de medidas simples, incorporadas à rotina, pode reduzir significativamente os índices de infestação e contribuir para a proteção coletiva.

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