“Avançamos, mas sem definição”, diz prefeita sobre greve do transporte público

Jonny Reisle
A ameaça de paralisação do transporte coletivo segue mobilizando autoridades, trabalhadores e usuários em Divinópolis, em meio a um cenário de impasse que se arrasta há meses. Representantes do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Divinópolis e Região (Sinttrodiv), da Prefeitura e do Consórcio TransOeste se reuniram nesta segunda-feira, 13, em uma tentativa de avançar nas negociações e evitar a greve prevista para quinta-feira, 16.
Negociações
O encontro ocorreu justamente no dia em que o sindicato iniciaria a notificação oficial aos órgãos competentes, como Polícia Militar e Executivo municipal, comunicando a de paralisação do serviço depois de um prazo de 72 horas. A reunião foi intermediada pela prefeita Janete Aparecida (Avante), que já havia se manifestado publicamente antes do encontro, demonstrando preocupação com os impactos de uma eventual greve para a população.
Mediação do Executivo
Em pronunciamento, ela destacou que a mobilização dos trabalhadores poderia ter começado ainda no início da semana, mas foi temporariamente contida por meio do diálogo.
— Conseguimos que essa greve fosse evitada começar nessa segunda-feira, marcando-se a data para começar na próxima quinta-feira. O diálogo é a melhor forma de resolver os nossos problemas e eu farei isso pela cidade de Divinópolis — disse.
Fim parecido com o início
Após cerca de três horas de reunião, no entanto, não houve definição final entre as partes. Em novo pronunciamento, feito logo após o encontro, a prefeita detalhou o andamento das negociações e sinalizou avanços.
— Durante três horas de negociação, não conseguimos ainda a definição, mas já avançamos muito na proposta e na contraproposta dos dois lados. Deixamos para um novo encontro nessa quarta-feira, onde a proposta estará sendo formalizada para ser colocada na assembleia de quinta-feira — afirmou.
A prefeita ainda demonstrou expectativa por um desfecho positivo nas negociações, destacando o esforço conjunto para evitar a paralisação.
— Se Deus quiser, conseguiremos levar uma proposta que seja aceitável para que a gente possa evitar essa greve — declarou.
Negociações estacionadas
O movimento de paralisação ganhou força após assembleias realizadas na última sexta-feira, 10, quando os trabalhadores aprovaram o estado de greve diante da falta de avanços nas negociações com o consórcio responsável pelo transporte. Durante as reuniões, a categoria destacou uma série de reivindicações, entre elas o reajuste salarial, a recomposição de benefícios e a melhoria das condições de trabalho.
Os profissionais também apontam para uma defasagem acumulada ao longo dos últimos anos, alegando que não houve correções compatíveis com a inflação e com o aumento do custo de vida.
Reivindicações trabalhistas
Outro ponto levantado pelos trabalhadores diz respeito às condições operacionais do sistema. Motoristas relatam jornadas desgastantes, pressão para cumprimento de horários e dificuldades relacionadas à manutenção da frota, fatores que, segundo a categoria, impactam diretamente tanto a qualidade do serviço prestado quanto a segurança no transporte. Para o sindicato, a valorização dos profissionais é essencial para garantir um sistema mais eficiente e digno para usuários e trabalhadores.
O cenário é agravado pelo congelamento da tarifa do transporte coletivo em Divinópolis há cerca de seis anos. Embora a medida tenha sido adotada para evitar o aumento do custo para os usuários, ela também trouxe desafios para a sustentabilidade do sistema. Como alternativa, o poder público passou a adotar o modelo de subsídios para manter a operação, o que, por sua vez, abriu espaço para questionamentos sobre a gestão e a transparência na aplicação dos recursos.
Nova proposta de CPI
Nesse contexto, o tema ganhou força também no campo político. O vereador Flávio Marra (PRD) tem se posicionado de forma crítica em relação ao modelo atual e à atuação do Consórcio TransOeste.
Entre as medidas propostas pelo parlamentar está a criação de uma nova Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), com o objetivo de investigar o contrato de concessão, a qualidade do serviço prestado e a utilização dos recursos públicos destinados ao sistema. A proposta busca ampliar a fiscalização e trazer maior transparência à gestão do transporte coletivo na cidade.
A possibilidade de instalação de uma CPI adiciona um novo elemento à crise, ampliando o debate sobre o modelo de funcionamento do transporte público em Divinópolis. Enquanto parte dos gestores defende a necessidade de subsídios para garantir a continuidade do serviço sem aumento da tarifa, críticos apontam a necessidade de revisão do contrato e de maior rigor na fiscalização das obrigações assumidas pela concessionária.
População de olho
Caso a greve seja confirmada, os impactos para a cidade tendem a ser significativos. Milhares de usuários dependem diariamente do transporte coletivo para deslocamento ao trabalho, acesso à educação e utilização de serviços essenciais. Uma paralisação pode afetar diretamente a rotina da população, além de gerar reflexos no comércio, na indústria e em diversos setores da economia local.
A assembleia prevista para quinta-feira será decisiva para definir os rumos do movimento. Nela, os trabalhadores irão avaliar a proposta que será construída nas reuniões entre sindicato, empresa e Prefeitura. Até lá, a expectativa é de intensificação das negociações, com o objetivo de evitar a interrupção do serviço.
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