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Polícia

Prisão de homem por suspeita de racismo gera repercussão política 

Prisão de homem por suspeita de racismo gera repercussão política 

Matheus Augusto

“Por dez reais, ele vai deixar eu dar duas lapadas”. A Polícia Civil (PC) de Itaúna instaurou ontem um inquérito para investigar um homem, de 44 anos, que deu R$ 10 a um homem negro para agredí-lo duas vezes com um cinto. Ele está preso preventivamente em Itaúna. para agredí-lo com um cinto. Como não houve o registro de ocorrência, as autoridades policiais tomaram conhecimento do caso apenas na manhã de ontem. O tema, para além da repercussão criminal e popular, também repúdios no âmbito político. 

Vídeo

Na publicação, o homem alega que a agressão visa mostrar “o que o vício gera”.

— Isso aqui não é escravidão. Não é pela cor, não — afirmou. 

Ele então tira o cinto, acerta a vítima e lhe entrega o dinheiro. 

Polícias 

A Polícia Militar (PM) esclareceu que tomou conhecimento do caso ontem, com a divulgação do vídeo. O homem foi identificado como natural de Pará de Minas. Um Boletim de Ocorrência foi registrado e o suspeito encaminhado à delegacia da cidade. Segundo o órgão, a gravação do vídeo aconteceu em um bar no Centro da cidade no último dia 10. 

De acordo o delegado responsável pelo caso, Leornado Pio, o homem é investigado pelos crimes de racismo é tortura. A pena pode ser superior a 15 anos. 

— Outros eventos podem ser apurados devido à complexidade da situação — acrescentou.

A Justiça acatou o pedido de prisão preventiva e o homem foi encaminhado ao sistema prisional no fim da tarde de ontem. Já identificado, o suspeito de filmar o vídeo também é investigado e responderá pelos mesmos crimes. 

— É uma modalidade omissiva, pois ele tinha condições de ter evitado — ressaltou.

A vítima e seus familiares prestaram depoimento ontem, bem como o proprietário do bar e os dois suspeitos de participarem da ação. Segundo o delegado, o inquérito deve ser concluído já nos próximos dias. 

Em seu depoimento, o suspeito da agressão alegou estar sob o efeito de álcool e crack. 

— Acessando as redes sociais dele, podemos verificar outros vídeos dele com falas racistas — ressaltou Pio. 

Investigação

Chefe do 7° Departamento de Polícia Civil, Flávio Destro se disse surpreso com tamanha maldade contra uma pessoa em situação de vulnerabilidade. 

— Já estou chegando a 23 anos como delegado de polícia e nunca me deparei com uma situação dessa envergadura. (...) Essa gravação se revela com uma maldade muito grande — lamentou. 

Senador

“Acho que é o pior vídeo que eu já vi na minha vida. É nojento”. Assim definiu o senador Cleitinho (Republicanos), em vídeo publicado em suas redes sociais. Ele informou que estava em contato com as autoridades policiais para prender essa “escória e lixo de ser humano”. 

— O que eu mais escuto, igual eu escutei ontem, no Dia da Consciência Negra, é falando que é mimimi. Não é mimimi. Esse país nosso ainda tem muita gente preconceituosa. A gente precisa combater isso — lamentou. 

Para o parlamentar, o crime de racismo precisa ser punido com pena máxima. 

— O racismo, para mim, deveria ter a pena máxima igual para estupro e assasinato. Um cara desse não sabe conviver em sociedade. Vou mudar essa lei para que seja pena máxima para quem ainda é racista — ressaltou. 

Deputada

Pelas redes sociais, Lohanna contou ter ficado “horrorizada” com a situação. 

— A gente também vai oficiar o Ministério Público (MP) para a tomada de providências — cobrou. 

A deputada também cobrou a responsabilização de quem filmou o vídeo. 

— Quem filmou estava ali, participando, ciente do que estava acontecendo. Racismo é crime e tem que ser tratado dessa forma. Criminoso tem que se ver com a polícia e o judiciário — defendeu. 

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