Queda nos preços do arroz e do feijão melhora custo do prato do brasileiro

Jorge Guimarães
O arroz e o feijão, a dupla mais tradicional e simbólica da mesa dos lares brasileiros, ficaram mais baratos ao longo de 2025, trazendo um alívio importante para o orçamento das famílias.
A redução nos preços está diretamente relacionada ao aumento da oferta, impulsionado por safras mais robustas em diversas regiões produtoras do país.
Quedas
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicam quedas expressivas nos valores desses alimentos básicos, com destaque para o feijão-preto e o feijão-carioca — este último, um dos mais consumidos no Brasil.
Estudos e levantamentos realizados por entidades do setor, como a Associação Brasileira de Supermercados (Abras), confirmam o movimento de deflação observado ao longo do ano, refletindo um cenário de maior equilíbrio entre produção e demanda.
Com preços mais baixos, o custo do chamado —prato feito— ou do prato básico brasileiro apresentou melhora, especialmente para as famílias de menor renda, para as quais o arroz e o feijão representam uma parcela significativa da alimentação diária. A queda no arroz foi de cerca de 12%, e no feijão-carioca, de mais de 13%, segundo o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), medido pelo IBGE. Assim, o recuo nos preços também contribuiu para conter a inflação dos alimentos, um dos principais fatores de pressão sobre o custo de vida nos últimos anos.
Mudança de hábitos
Apesar da queda nos preços ao longo de 2025, o consumo desses itens básicos não cresceu na mesma proporção. Em muitos lares, a mudança nos hábitos alimentares e a maior diversidade de opções no cardápio têm influenciado diretamente a quantidade comprada, realidade percebida diariamente nos supermercados.
A dona de casa Maria Aparecida Oliveira, de 54 anos, conta que, mesmo com os valores mais acessíveis, a rotina da família mudou.
— A gente continua comprando arroz e feijão, mas em menor quantidade. Hoje em dia faço mais massas, saladas e até opções prontas, porque a correria do dia a dia é grande —relata.
Situação parecida vive o auxiliar de serviços gerais João Batista, de 39 anos.
— O preço melhorou, isso é fato, ajuda bastante no orçamento. Mas a gente acaba variando mais a comida. Às vezes substituímos o feijão por legumes ou outras opções, principalmente durante a semana — explica.
Varejo
Do ponto de vista do varejo, a percepção é de estabilidade nas vendas. Segundo o gerente de uma loja de rede de supermercados, Sérgio Antônio de Oliveira, a redução nos preços trouxe alívio para o bolso do consumidor, mas não provocou um aumento significativo no volume comercializado.
— O que observamos é que as pessoas continuam levando arroz e feijão para casa, porém em embalagens menores ou com menor frequência. O consumo está estável e, em alguns períodos, até abaixo do que já foi registrado em outros anos — afirma.
Sérgio destaca ainda que a diversificação da alimentação tem sido um fator determinante nesse comportamento.
— Hoje o consumidor tem acesso a uma variedade maior de produtos, desde grãos diferentes até alimentos prontos e semiprontos. Isso faz com que o arroz e o feijão deixem de ser, muitas vezes, presença diária em todas as refeições, mesmo com preços mais baixos — pontua.
Lado empresarial
A queda nos preços de itens essenciais trouxe alívio também para os empresários do ramo da alimentação, especialmente para aqueles que trabalham com o tradicional Prato Feito (PF). Com custos mais controlados, bares, restaurantes e lanchonetes conseguiram fôlego para manter ou atualizar seus cardápios.
Para o empresário Carlos Henrique, proprietário de um restaurante, a redução fez diferença no planejamento mensal.
— O arroz e o feijão são a base do PF. Com esses produtos mais baratos, ficou mais tranquilo manter o preço para o cliente e até pensar em melhorar o prato, colocando uma carne de melhor qualidade ou um acompanhamento a mais — afirma.
A mesma percepção é compartilhada por Ana Lúcia Ferreira, que administra um self-service. Segundo ela, a baixa nos custos abriu espaço para pequenas inovações.
— Antes a gente ficava muito limitada, sempre cortando algo para não repassar o aumento. Agora conseguimos variar mais o cardápio e oferecer legumes diferentes sem pesar tanto no caixa — explica.
Consumidores e fidelização
Do lado dos consumidores, a mudança também é sentida. O pedreiro Marcos Antônio, de 47 anos, percebeu mais opções no almoço.
— O PF continua com preço acessível e está mais caprichado. Em alguns lugares há mais variedade, o que anima a gente a almoçar fora — comenta.
Para os empresários, o cenário atual representa uma oportunidade de fidelizar clientes. —Com os custos mais equilibrados, conseguimos pensar em qualidade e variedade. Isso agrada o consumidor e fortalece o negócio— resume Carlos Henrique.
Ana Lúcia reforça que a fidelização passa pela constância na qualidade.
— Se o cliente encontra comida bem-feita, variedade e preço justo, cria o hábito de almoçar sempre no mesmo lugar. Dá para investir em um tempero melhor e em acompanhamentos diferentes. São detalhes que ajudam a conquistar o cliente — completa.
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