Carregando clima…
Notícias

Repercussão de aprovação da reforma da Previdência toma debate na cidade

Por Redação Jornal Agora
Repercussão de aprovação da reforma da Previdência toma debate na cidade

Jonny Reisle

A aprovação da Reforma da Previdência dos servidores municipais de Divinópolis pela Câmara Municipal, nesta terça-feira, 7, por mais que um marco, não encerrou a disputa política e jurídica em torno do Projeto de Lei Complementar nº 008/2026. Pelo contrário. 

O dia seguinte à votação foi marcado por novas ações da Prefeitura para defender a proposta, pela reação dos sindicatos, que decidiram manter a greve, e por críticas do ex-prefeito Demétrius Pereira, citado durante o debate como um dos responsáveis pelo agravamento da situação financeira do Instituto de Previdência dos Servidores do Município (Diviprev).

Reunião decisiva

Após uma sessão representativa, acompanhada por centenas de servidores e encerrada com a aprovação da matéria por 11 votos favoráveis e cinco contrários, a prefeita Janete Aparecida (Avante) convocou uma coletiva de imprensa para detalhar os bastidores da construção do projeto, rebater críticas feitas durante a tramitação e defender que a mudança era inevitável para garantir a sustentabilidade do Diviprev.

— Ontem foi um dia histórico para Divinópolis. Não tem vencedor e não tem perdedor. Não é um projeto político, é um projeto de gestão. Talvez neste momento muitas pessoas não compreendam, mas tenho certeza de que essa decisão vai garantir um futuro digno para quem está na ativa e para quem já está aposentado — declarou.

Movimento necessário

Durante pouco menos de meia hora de coletiva, a prefeita voltou a sustentar que o município precisava adequar sua legislação às mudanças previdenciárias promovidas pela União e pelos estados após a Emenda Constitucional nº 103, de 2019. Segundo ela, diversos estudos atuariais embasaram a proposta e foram apresentados aos sindicatos, vereadores e representantes dos servidores durante a tramitação.

Janete também rebateu as acusações de falta de diálogo feitas pelos sindicatos e por vereadores da oposição. Segundo ela, a Prefeitura realizou reuniões com servidores, apresentou uma primeira versão da reforma — posteriormente alterada — e promoveu debates técnicos sobre o texto antes do envio definitivo à Câmara.

Participação de vereadores

Outro ponto destacado pela prefeita foi a articulação política junto ao Legislativo. Ela afirmou que conversou individualmente com todos os vereadores sobre o tema e agradeceu aos parlamentares que aprovaram a proposta, classificando a decisão como um ato de responsabilidade para preservar o equilíbrio financeiro do município.

Passado se torna presente

Enquanto a Prefeitura reforçava a defesa da reforma, o ex-prefeito Demétrius Pereira voltou ao debate após ter seu nome citado durante toda a discussão sobre a origem do déficit previdenciário. A administração municipal sustenta que decisões tomadas entre 2004 e 2007, especialmente a redução da contribuição patronal ao Diviprev, contribuíram para o crescimento do déficit atuarial.

Demétrius, porém, negou ser o responsável pela elaboração da reforma previdenciária de sua gestão e afirmou que o trabalho foi conduzido por técnicos especializados. Também criticou a proposta aprovada nesta semana e defendeu que a atual administração ainda pode rever sua posição.

— Eu espero que essa coragem dela... a coragem maior mesmo seria voltar atrás. Errar é humano, agora permanecer no erro é pior ainda — afirmou o ex-prefeito.

Tramitações

Após a aprovação do projeto, os vereadores que votaram favoravelmente preferiram não comentar o resultado. Procurados pela reportagem do Agora, os 11 parlamentares da base governista optaram por não conceder entrevistas.

Já os cinco vereadores que votaram contra a proposta reafirmaram que pretendem buscar a anulação da reforma na Justiça. Entre eles, Kell Silva (PV) criticou tanto a condução da Prefeitura quanto o que classificou como ausência de diálogo durante toda a tramitação.

Repercussão

A repercussão também chegou ao movimento grevista. Ainda na terça-feira, após o encerramento da reunião ordinária da Câmara, servidores realizaram assembleia em frente ao Legislativo e decidiram, por unanimidade, manter a paralisação iniciada na última sexta-feira, 3, pelos profissionais da Educação e ampliada para todas as categorias na segunda-feira.

Em resposta, a Prefeitura encaminhou notificações extrajudiciais ao Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram) e ao Sindicato dos Trabalhadores Municipais da Educação (Sintemd), solicitando a suspensão imediata da greve e o retorno dos servidores às atividades no prazo de 24 horas.

Notificação

No documento, o Executivo sustenta que a paralisação perdeu seu objeto com a aprovação do Projeto de Lei Complementar nº 008/2026 e afirma que a continuidade do movimento poderá motivar o ajuizamento de ação para declaração de ilegalidade da greve, além da adoção das medidas judiciais cabíveis.

Questionada sobre o assunto, Janete afirmou que a Prefeitura permanece aberta ao diálogo com os servidores, mas descartou qualquer nova negociação sobre o conteúdo da reforma.

Resistência

Os sindicatos, entretanto, reagiram afirmando que a notificação extrajudicial não possui efeito jurídico e classificaram a medida como uma tentativa de intimidar o movimento. Segundo as entidades, até o fechamento desta matéria na tarde desta quarta-feira, 8, a greve continua e as próximas medidas, inclusive judiciais, serão discutidas nos próximos dias. 

— Já estamos preparando uma ação coletiva para garantir o direito de greve e também buscamos medidas judiciais contra a aprovação da reforma, porque entendemos que houve atropelo no processo de votação e falta de debate — afirmou o presidente do Sintram, Marco Aurélio Gomes. 

Compartilhe:WhatsAppFacebookTwitter

Leia também

Mais recentes

Do nosso arquivo

Veja tudo o que publicamos em julho de 2026

Comentários

Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.

Carregando comentários…