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Minas Gerais registra mais de 900 vítimas de latrocínio em dez anos 

Por Bruno
Minas Gerais registra mais de 900 vítimas de latrocínio em dez anos 

Lucas Maciel

A morte do advogado Cláudio Atala Inácio, de 75 anos, e da empresária Maria Clotilde Moreira Maciel Atala Inácio, de 76, encontrada dentro de um apartamento no bairro São Pedro, em Belo Horizonte, voltou a colocar em evidência um dos crimes mais graves previstos na legislação brasileira: o latrocínio, quando o roubo resulta na morte da vítima.

A principal suspeita do crime, a diarista Paola Stefany Neto Cirino, de 30 anos, teve a prisão em flagrante convertida em preventiva pela Justiça e deverá responder por dois crimes de latrocínio consumado. A Polícia Civil ainda investiga a possível participação de outras pessoas na fuga e na comercialização dos objetos levados do apartamento.

Enquanto o inquérito segue em andamento, dados do Ministério da Justiça e Segurança Pública mostram que o crime continua fazendo vítimas em Minas Gerais, apesar da redução observada nos últimos anos. Entre 2015 e 2025, o estado registrou 912 vítimas de latrocínio. Somente em Belo Horizonte foram contabilizadas 66 vítimas no mesmo período.

Os números revelam que, ao longo da última década, aproximadamente 80 pessoas perderam a vida por ano em Minas durante roubos. Do total de vítimas, 782 eram homens, 129 mulheres e uma não teve o sexo informado.

Queda nos registros

Apesar do elevado número acumulado, os indicadores mostram uma tendência de redução desse tipo de crime no estado.

Em 2025, Minas Gerais registrou 44 vítimas de latrocínio. Já entre janeiro e maio de 2026, foram contabilizadas 11 vítimas. Em Belo Horizonte, a capital registrou cinco vítimas no ano passado e, até o momento, não houve registros neste ano.

Na comparação com 2015, a redução no número de vítimas chega a cerca de 59%, conforme os dados oficiais do Ministério da Justiça.

Mesmo assim, Minas Gerais permanece entre os estados com maior número de ocorrências desse tipo de crime. No levantamento nacional, ocupa a sétima posição, atrás apenas de São Paulo, Pará, Rio de Janeiro, Bahia, Pernambuco e Maranhão.

Divinópolis 

Na região Centro-Oeste, Divinópolis não registrou casos de latrocínio em 2025 nem nos primeiros meses de 2026, segundo levantamento.

Embora o cenário local seja diferente do observado em outras regiões do estado, especialistas em segurança pública costumam destacar que o latrocínio, por reunir violência extrema e motivação patrimonial, provoca forte impacto social e costuma mobilizar rapidamente as forças policiais.

O caso registrado na capital mineira reforçou esse cenário pela violência empregada contra as vítimas e pela ampla repercussão da investigação.

O que é o latrocínio

Previsto no artigo 157 do Código Penal, o latrocínio ocorre quando a morte acontece durante a prática de um roubo. Ainda que o objetivo principal seja a subtração de bens, a legislação trata o delito como crime contra o patrimônio qualificado pelo resultado morte.

A pena prevista varia de 24 a 30 anos de prisão, podendo ser ampliada conforme as circunstâncias do caso e a existência de agravantes previstas na legislação.

Investigação continua

De acordo com a Polícia Civil, a principal linha de investigação aponta que a diarista foi ao apartamento para realizar um serviço de limpeza, mas, durante a permanência no imóvel, matou o casal e levou joias, relógios, celulares, dinheiro e outros objetos de valor.

Parte dos bens já foi recuperada durante as investigações. Os policiais também buscam identificar quem conduzia o veículo que aguardava a suspeita na saída do prédio e esclarecer se houve participação de outras pessoas na fuga ou na receptação dos objetos.

Na audiência de custódia, realizada na última sexta-feira, 3, a Justiça converteu a prisão em flagrante em preventiva. A defesa alegou que a investigada teria cometido os crimes durante um surto psicótico e pediu a substituição da prisão por domiciliar, sob o argumento de que ela é mãe de uma criança de seis anos.

Os pedidos foram negados. A magistrada responsável pelo caso entendeu que não há, até o momento, elementos objetivos que comprovem incapacidade mental da investigada e destacou que a legislação não autoriza prisão domiciliar em crimes praticados com violência ou grave ameaça.

Apesar da prisão preventiva e da confissão apresentada informalmente aos investigadores, o inquérito ainda não foi concluído. A Polícia Civil continua reunindo provas para esclarecer toda a dinâmica do crime, recuperar os objetos que ainda não foram localizados e verificar se outras pessoas participaram da ação criminosa.

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