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Política

Segurança Pública cobra que governador cumpra acordo

Por Portal Agora
Segurança Pública cobra que governador cumpra acordo

Da Redação

Representantes das forças de segurança pública pediram ao governador Romeu Zema (Novo) que não os “force” a fazer novamente uma greve como a que o Estado viveu em 1997. O alerta foi feito por representantes de cerca de 15 sindicatos e associações de diversas categorias, em audiência da Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada na sexta-feira, 5.  

O tema da reunião foi a quebra do acordo firmado entre o governador e os servidores do setor, assinado no dia 22 de novembro de 2019. O acordo previa recomposição das perdas inflacionárias, a serem pagas em três parcelas, calculadas, à época, pelo próprio secretário de Estado de Planejamento e Gestão. 

De acordo com o requerimento da reunião, representantes do governo também deveriam trazer informações sobre a evolução da receita do Estado, com comparativo do intervalo compreendido entre janeiro e agosto de 2020 e no mesmo período de 2021.  

Representantes da Polícia Militar, do Corpo de Bombeiros, delegados, escrivães, peritos criminais, agentes penitenciários e socioeducativos, entre outros servidores da segurança pública questionaram o governador por ter pagado apenas uma das três parcelas acordadas, "voltando atrás" no que havia sido pactuado com os comandantes de todas as categorias. 

— Isso é inacreditável, um governador que se propõe a negociar por um ano e ele mesmo vetando depois a recomposição. Mesmo durante a pandemia, mantivemos o nosso compromisso com a sociedade mineira e fizemos nossa parte. O resultado disso está na imprensa para todo mundo ver: Minas é o estado mais seguro do Brasil. Não queremos nada além do reconhecimento justo e da valorização do servidor da segurança pública — afirmou Rosângela Freitas, vice-presidente da Associação dos Oficiais da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros de Minas Gerais. 

 

Alerta de possível greve

Presidente da Associação dos Praças Policiais e Bombeiros Militares de Minas Gerais, Heder Oliveira disse que não há nenhuma dificuldade para os policiais fazerem acampamentos em protesto na Cidade Administrativa e na Praça da Liberdade, para pressionar o governador a cumprir o que prometeu. 

— Enfrentamos a criminalidade diariamente, isso é fichinha. Já estamos acostumados com isso. Temos um limite prudencial, até abril, por causa das eleições. Se o governo não quer negociar com as entidades de classe, nossos parlamentares são nossos representantes legítimos, negocie com os deputados. Mas não se espantem se fizermos greve e pararmos diversos setores da segurança no Estado — alertou.

Presidente da Associação de Servidores do Corpo de Bombeiros e Polícia Militar do Estado (Ascobom), Alexandre Rodrigues lembrou que, quando uma pessoa assina uma nota promissória, ela é cobrada justamente por ter assumido uma dívida. Da mesma forma, o governador precisa ser cobrado, segundo ele. 

— Ele está nos dando o calote. Ele jogou o nome dos nossos comandantes na lama — afirmou.

Assessor do Sindicato dos Servidores da Polícia Civil do Estado (Sindpol), Emerson Oliveira ressaltou que a Polícia Civil se encontra abandonada e sucateada, sem investimentos e infraestrutura, e que a polícia mineira tem o 24º pior salário do país. 

— Nosso trabalho é brilhante e o Estado é o mais seguro da nação. Mas nosso governador não tem palavra. Não discute projetos que manda para esta Casa com as categorias. Se ele nos der a recomposição, o custo disso será de menos de R$ 0,40 por cidadão mineiro. E várias empresas estão vindo para Minas por causa da segurança que nós proporcionamos — salientou. 

 

Secretário não informa saldos do Estado

Após acompanhar as manifestações dos demais convidados, o secretário de Estado de Fazenda, Gustavo Barbosa, informou quais seriam as receitas do governo, mas não foi suficiente para deixar os presentes satisfeitos. O presidente da Comissão de Segurança Pública e um dos autores do requerimento para a realização da reunião, deputado Sargento Rodrigues (PTB), pediu ao secretário-geral do Estado, Mateus Simões, os saldos das contas bancárias do Estado. 

Apontado por alguns representantes de entidades como o responsável por ter feito o governador mudar de ideia quanto ao pagamento da reposição, Mateus Simões afirmou que os saldos seriam uma informação estratégica, que "não deve ser passada”. "Diferentemente do governo passado, esse é um governo que sempre se dispõe a vir à Assembleia", enfatizou. 

O deputado Sargento Rodrigues reafirmou que a pergunta da comissão ainda não tinha sido respondida. 

— Quando a ata assinada pelo governo, sindicatos, parlamentares estaduais e federais será cumprida? — questionou mais uma vez.

O secretário-geral disse, então, que há um compromisso do governo com os sindicatos e que assim que for possível superar as dificuldades relacionadas ao Regime de Recuperação Fiscal, apresentarão uma resposta para a Assembleia votar. O secretário informou, ainda, que em 2022 o governo apresentará um projeto de revisão geral para todos os servidores, com o objetivo de recompor a perda inflacionária referente ao último ano, como prevê a Constituição.

Os deputados Delegado Heli Grilo (PSL), Coronel Sandro (PSL), João Leite (PSDB) e a deputada Delegada Sheila (PSL), além do deputado federal Subtenente Gonzaga (PDT-MG), também participaram do debate e manifestaram solidariedade às demandas dos policiais mineiros. 

Com informações da ALMG.

 

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