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Economia

Serviços perdem força em Minas e acendem alerta em Divinópolis

Estado registra retração de 0,9% no primeiro semestre; setor também pesa no saldo negativo de empregos formais no município

Por Redação Jornal Agora · Redação· 5 min de leitura
Serviços perdem força em Minas e acendem alerta em Divinópolis

Jorge Guimarães 

O setor de serviços encerrou o primeiro semestre de 2026 com desempenho negativo em Minas Gerais, na contramão do resultado nacional. Enquanto o Brasil registrou crescimento de 2% no acumulado de janeiro a junho, o Estado apresentou retração de 0,9%, segundo dados da Pesquisa Mensal de Serviços (PMS), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), analisados pelo Núcleo de Estudos Econômicos da Fecomércio MG. 

Em Divinópolis, os números do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes a junho também reforçam o sinal de alerta: tradicionalmente principal motor da economia local e líder na geração de empregos, o setor de serviços foi o que mais contribuiu para o saldo negativo de novas vagas formais no município no mês.

Divinópolis

Após um início de ano marcado pela recuperação do mercado de trabalho, com saldo positivo na geração de empregos formais, Divinópolis voltou a acender o sinal de alerta. Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgados em referência ao mês de junho mostram que o município registrou desempenho negativo no mês, frustrando as expectativas de continuidade do crescimento observado em maio, quando foram abertas 177 vagas com carteira assinada.

Sendo o principal destaque negativo, o setor de prestação de serviços, historicamente responsável pela maior parcela da geração de empregos na cidade. Durante o mês, o segmento contabilizou 1.296 contratações e 1.374 desligamentos, resultando no fechamento de 78 postos de trabalho. 

Análise

Na avaliação do economista Leandro Maia, o resultado do Caged em junho merece atenção, principalmente pelo comportamento do setor de serviços, tradicionalmente responsável por impulsionar a geração de empregos em Divinópolis. Para ele, o saldo negativo de 142 vagas formais interrompe a recuperação observada em maio e reforça a necessidade de acompanhar de perto a evolução da atividade econômica nos próximos meses.

— Quando o setor de serviços perde força, o impacto é significativo, porque ele concentra grande parte dos empregos formais do município e possui forte ligação com o comércio, a indústria e o consumo das famílias. Esse desempenho pode refletir um momento de maior cautela por parte das empresas diante das incertezas econômicas e do elevado custo operacional — analisou.

Perspectivas para os próximos meses

Para os próximos meses, as perspectivas para o mercado de trabalho, especialmente no setor de prestação de serviços, estarão diretamente ligadas ao comportamento do consumo e à confiança dos empresários. Na avaliação do economista, uma eventual retomada da atividade econômica poderá contribuir para melhorar o ambiente de contratações, mas o ritmo desse movimento dependerá também da evolução do cenário macroeconômico.

Segundo Maia, fatores como o poder de compra das famílias, os níveis de consumo e a disposição das empresas para realizar novos investimentos e contratações serão determinantes para definir os rumos do emprego no segundo semestre.

Datas

E falando em novos investimentos e contratações para os próximos meses, para Maia, a recuperação do setor de serviços poderá acontecer, de forma gradual, impulsionada principalmente pelo calendário de datas comemorativas e pelo aumento do consumo das famílias. 

— As datas comemorativas, principalmente o Natal e o Ano Novo, costumam provocar uma movimentação maior no comércio e na prestação de serviços. Esse aumento da demanda pode levar as empresas a reforçarem suas equipes e, consequentemente, contribuir para uma recuperação gradual do mercado de trabalho — avaliou Maia.

Ainda segundo o economista, o desempenho desse movimento dependerá também da confiança dos empresários e das condições econômicas ao longo do segundo semestre. 

— Se houver uma melhora no consumo e manutenção da confiança dos empresários, podemos ter um ambiente mais favorável para investimentos e contratações, especialmente nos setores que apresentam maior demanda nesse período do ano — acrescentou.

Minas

E voltando para os números de Minas Gerais, a economista da Fecomércio MG, Fernanda Gonçalves, disse que o resultado mostra que a recuperação do setor ainda não alcançou de forma homogênea as diferentes atividades que compõem a economia mineira. 

— Minas Gerais apresenta uma recuperação mais lenta dos serviços. O recuo observado em junho, depois de dois meses de avanço, mostra que o setor ainda enfrenta dificuldades para sustentar uma trajetória contínua de crescimento — avaliou.

Na comparação com junho de 2025, o cenário é um pouco mais favorável, mas ainda distante do desempenho nacional. O volume de serviços cresceu 0,7% em Minas Gerais, enquanto o Brasil registrou expansão de 2%.

O acumulado em 12 meses amplia essa distância. De julho de 2025 a junho de 2026, o setor de serviços brasileiro cresceu 2,6%, enquanto Minas Gerais apresentou retração de 0,7%, uma diferença de 3,3 pontos percentuais.

Contramão do cenário nacional

A diferença entre Minas Gerais e o Brasil também aparece quando observados os principais segmentos. No país, informação e comunicação avançou 9,4% na comparação anual, enquanto serviços profissionais, administrativos e complementares cresceram 2,8% e os serviços prestados às famílias, 1,7%.

Em Minas Gerais, apesar do avanço de informação e comunicação, o desempenho negativo dos transportes e dos serviços destinados às famílias reduziu a capacidade de recuperação do setor. 

— Para que Minas Gerais consiga acompanhar uma trajetória mais consistente de crescimento, será importante observar a retomada dos segmentos relacionados à mobilidade, logística, turismo e aos serviços prestados às famílias. Esses setores têm impacto direto sobre a circulação de renda e sobre a atividade econômica — destacou a economista.

A análise da Fecomércio aponta, portanto, que o setor de serviços mineiro segue em um processo de recuperação mais lento e menos abrangente que o observado no país. A composição setorial ajuda a explicar parte relevante dessa diferença, com atividades de grande peso no Estado ainda apresentando desempenho negativo.


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