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Servidores aprovam greve contra reforma da Previdência em Divinópolis

Por Bruno
Servidores aprovam greve contra reforma da Previdência em Divinópolis

Jonny Reisle

Os servidores municipais de Divinópolis decidiram deflagrar novamente uma greve geral contra a proposta de reforma da Previdência encaminhada pela Prefeitura à Câmara Municipal. A paralisação foi aprovada pela maioria dos participantes durante assembleia realizada nesta terça-feira, 30, pelos sindicatos que representam a categoria, após o impasse nas negociações continuarem em torno das alterações sugeridas ao Projeto de Lei Complementar nº 008/2026.  A greve está prevista para começar na sexta-feira, 3, caso não haja avanço na última rodada de negociações marcada para esta quinta-feira, 2.

Conversas emperradas 

A decisão representa uma nova escalada no embate entre servidores e Prefeitura. Segundo o Sindicato dos Trabalhadores Municipais de Divinópolis e Região Centro-Oeste (Sintram) e o Sindicato dos Trabalhadores da Educação Municipal de Divinópolis (Sintemd), o Executivo aceitou apenas alterações de redação, sem acolher as principais reivindicações apresentadas pelas entidades. Ao todo, foram entre 20 e 30 mudanças sugeridas. A Prefeitura alega que mais da metade delas foram aceitas, mas, mesmo assim, a greve foi deflagrada.

De acordo com o presidente do Sintram, Marco Aurélio Gomes, os sindicatos protocolaram uma série de sugestões para modificar o texto da reforma, mas apenas os apontamentos técnicos foram aceitos.

— Todas as propostas que foram aceitas foram propostas de redação, para evitar judicialização. Os pontos de maior impacto, infelizmente, não tiveram consenso e o caminho agora é trabalhar uma manifestação — afirmou.

Epicentro da negociação

Segundo ele, dois pontos concentram a maior resistência da categoria: o fim do abono permanência e o aumento da idade mínima para aposentadoria.

— A idade mínima está aumentando cinco anos de uma vez, sem uma regra de transição. Além disso, muitos servidores estavam próximos de conquistar o abono permanência e perderiam esse direito. São esses os dois pontos mais complicados — destacou.

Paralisação inevitável?

Marco Aurélio afirmou que a categoria considera esgotadas as possibilidades de negociação.

— Suspendemos uma greve anterior para negociar, mas a negociação não avançou como esperávamos. Agora, só não faremos a greve se a Prefeitura aceitar os pontos que estamos exigindo. Caso contrário, na sexta-feira haverá greve geral — afirmou.

Chance final para um acordo

Apesar da aprovação da paralisação, sindicatos e Prefeitura ainda terão uma última oportunidade para tentar construir um entendimento. Uma reunião entre representantes das entidades e a prefeita Janete Aparecida (Avante) está marcada para esta quinta-feira.

Segundo o Sintram, a expectativa é que o Executivo reveja sua posição e aceite as propostas consideradas essenciais. As entidades sustentam que apenas ajustes de redação foram incorporados, enquanto todas as mudanças de mérito foram rejeitadas.

Posicionamento

Ao Agora, a prefeita Janete Aparecida (Avante) afirmou que manteve o compromisso assumido durante as negociações e disse estranhar a decisão dos sindicatos de anunciar uma greve antes da conclusão do cronograma de reuniões.

— Quando eles me propuseram o prazo, disseram que estudariam o projeto até a data estabelecida. Cada dia tomam uma posição diferente e continuam fazendo manifestações. Mas eu respeito a decisão de cada um — disse.

Bateu o pé

Janete reafirmou que não pretende retirar o projeto da Câmara e informou que enviará uma nova versão do texto incorporando as mudanças já aceitas.

— Não retiro o projeto. Vou cumprir o que foi acordado, fazendo as mudanças de redação e outras propostas aceitas, como a redução do pedágio de 100% para 50% e uma regra de progressão. Quinta-feira será a última reunião. Se não houver entendimento, enviarei as mudanças para a Câmara e a votação acontecerá em seguida — explicou.

Como tudo começou

O conflito teve início após a Prefeitura encaminhar à Câmara o Projeto de Lei Complementar nº 008/2026, que altera regras da Previdência dos servidores, incluindo idade mínima para aposentadoria, cálculo dos benefícios, alíquotas de contribuição e regras para pensões.

Em resposta, Sintram e Sintemd elaboraram uma contraproposta com sugestões para reduzir a idade mínima, preservar o abono permanência, modificar o cálculo dos benefícios, rever as alíquotas e estabelecer regras mais favoráveis para aposentadorias e pensões.

Cenas dos próximos capítulos

O Sintemd já enviou a notificação de greve para a Prefeitura, então após 48 horas de prazo, na sexta-feira, a rede municipal de ensino já estará com a paralisação em andamento, caso um acordo não seja alcançado. O Sintram, por ter uma maior complexidade no processo logístico, com os servidores de saúde, por exemplo, precisará de 72 horas depois de notificar a prefeitura.

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