Servidores da força de segurança pública fazem mais uma manifestação

Lucas Maciel
Após a greve dos eletricitários da Cemig, iniciada nesta semana, a indignação de outra importante categoria de servidores de Minas Gerais se manifestou de forma marcante. Centenas de agentes das forças de segurança pública bloquearam o trânsito na avenida Afonso Pena, no Centro de Belo Horizonte, em protesto contra o governo estadual.
A categoria, em luta há anos por melhores condições salariais, manifestou sua revolta pelo descumprimento da promessa de recomposição salarial. Segundo os líderes do movimento, o atraso já ultrapassa uma década.
O episódio reflete o crescente descontentamento entre policiais militares, civis, penais e bombeiros, que enfrentam inflação alta e perdas salariais acumuladas. Apesar das promessas do governo de Romeu Zema (Novo), os ajustes realizados não foram suficientes para cobrir as perdas ou melhorar as condições de trabalho.
O Agora conversou novamente com o fundador da Associação Central Única dos Militares Estaduais (Cume), que atualizou a situação e reafirmou a indignação da classe.
Manifestação
Cerca de 300 agentes da segurança pública de Minas Gerais realizaram, nesta terça-feira, 8, uma manifestação em Belo Horizonte, bloqueando o trânsito na Avenida Afonso Pena, na altura da Praça Sete, uma das principais vias da capital.
O protesto aconteceu em resposta ao descumprimento de acordos salariais que, segundo os líderes do movimento, estão atrasados há mais de uma década. Com faixas, gritos de “Zema caloteiro” e apoio de várias categorias, incluindo policiais militares, bombeiros e agentes civis e penais, o ato teve como objetivo pressionar o governo estadual por melhorias salariais e melhores condições de trabalho.
O sargento Walter Carvalho, fundador da Associação Central Única dos Militares Estaduais e ex-presidente por dois mandatos, falou sobre o momento.
— Caravanas de todo interior de Minas Gerais lotaram a Praça Sete, são mais de cinco anos de enganação do governador Romeu Zema. Desta vez, como ocorreu nos últimos 5 anos, o Legislativo, Judiciário e até os professores enviaram para a Assembleia Legislativa projetos de lei que garantem a reposição inflacionária, deixando de fora apenas as forças de segurança — explicou Carvalho.
A manifestação paralisou o trânsito por algumas horas e gerou protestos em frente à Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), onde os agentes seguiram após liberarem a via.
Caso o governo não atenda às reivindicações da categoria, o movimento pode se intensificar e até mesmo resultar em uma paralisação.
Situação
Há seis anos, os profissionais de segurança pública de Minas Gerais não recebem a recomposição salarial das perdas inflacionárias, medida prevista pela Constituição e aplicada a outras categorias.
As principais reivindicações incluem a reposição das perdas salariais, com a compensação da inflação até janeiro deste ano. Durante a campanha, o governador Zema comprometeu-se a implementar essa medida, mas, após enviar uma proposta de reposição em três parcelas de 12%, pagou apenas uma e não cumpriu o restante do acordo.
Além disso, a criação de um vale-alimentação exclusivo para os policiais da ativa gerou insatisfação, afastando-os dos veteranos, pensionistas e reformados.
A situação também foi agravada pelo desconto indevido na previdência dos militares estaduais, que tentou aumentar a taxa de 8% para 10,5%, algo que foi considerado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal (STF). A indignação e a preocupação são imensas, segundo Walter Carvalho.
— Me preocupa muito o aumento do número de suicídios em nossa instituição, militares proibidos de exercer outras atividades, por força de um regulamento, sobrecarga de trabalho em razão da escassez de efetivo, veteranos morrendo após dar a vida pela sociedade e ter um governo frio, que brinca com esses profissionais fazendo chacota, ironizando ao comer uma banana com casca com palavras. Isso nos leva ao entendimento de que é o que nós merecemos — comentou.
Emenda
Como possível solução para esse impasse, a Comissão de Segurança Pública da Assembleia Legislativa de Minas Gerais está preparando uma emenda para garantir a recomposição salarial dos servidores de segurança.
Em entrevista exclusiva ao Agora, na última semana, o deputado Eduardo Azevedo (PL) comentou sobre anexar o documento, que pode ser um passo importante para atender às demandas da categoria.
— O momento é agora! Nós, como Comissão de Segurança Pública, vamos pautar mais uma vez uma emenda para que a recomposição salarial das perdas inflacionárias dos profissionais de segurança pública possa ser atendida — afirmou.
O ano é decisivo para que a recomposição aconteça nesta gestão, já que em 2026 ocorrem as eleições e é proibido realizar a medida durante o período.
— Se não for agora, infelizmente, nesta gestão não conseguiremos realizar a recomposição. Mas tenho esperança de que desta vez vamos obter a aprovação e o êxito dessa emenda, garantindo também a recomposição para os profissionais de segurança pública — finalizou o deputado.
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