Sistema Siloc garante localização precisa em chamadas de emergência em Minas Gerais

Da Redação
Aprimorar o atendimento e reduzir o tempo de resposta em situações críticas. Este é o objetivo do Sistema de Localização (Siloc), uma ferramenta tecnológica que permite identificar com precisão e em tempo real a origem de chamadas feitas aos números de emergência 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil) e 193 (Corpo de Bombeiros), implementado pelo Governo de Minas Gerais. Segundo a Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp), o sistema já está operando em todo o estado desde a última sexta-feira, 26. A ativação ocorre de forma automática durante as chamadas, sem necessidade de habilitar qualquer recurso nos celulares. A identificação da localização é feita no momento em que os atendentes percebem a urgência do caso.
Tecnologia
Desenvolvido pela Sejusp em parceria com a Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) e o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG), o Siloc utiliza a tecnologia AML (Advanced Mobile Location). O recurso cruza dados de GPS, Wi-Fi e torres de celular para fornecer, de forma instantânea, a localização exata do aparelho que originou a ligação.
A ferramenta funciona em smartphones com sistemas Android e iOS, sem necessidade de instalação de aplicativos adicionais. Em áreas de baixa cobertura, o envio das informações pode ser feito por SMS, garantindo eficiência mesmo em locais remotos, como trilhas e matas.
O Siloc já está integrado ao Centro Integrado de Atendimento e Despacho (Ciad), localizado na Cidade Administrativa, que recebe as chamadas de emergência das três forças de segurança.
Objetivo
Um dos principais objetivos é facilitar o atendimento em casos em que a vítima não consegue fornecer o endereço com clareza, como ocorre em situações de violência doméstica, crises emocionais ou acidentes em áreas de difícil acesso. A ferramenta também permite localizar pessoas perdidas em trilhas e agilizar resgates em ambientes urbanos complexos.
De acordo com o secretário de Estado de Justiça e Segurança Pública, Rogério Greco, o sistema representa uma inovação essencial para a segurança pública.
— Ao ligar para o 190, 193 ou 197, a localização da pessoa é reconhecida automaticamente. Em situações de crise, como infrações penais ou violência doméstica, mesmo que a pessoa não consiga se comunicar, a identificação aparece em nosso sistema. Além disso, o projeto inibe trotes, que mobilizam nossas equipes desnecessariamente — destacou.
Forças de segurança
As três forças estaduais já relataram ganhos significativos com a adoção do Siloc. O comandante-geral da Polícia Militar, coronel Carlos Frederico Otoni Farias, reforçou a importância da ferramenta para o tempo de resposta.
— O SILOC tem uma efetividade muito grande. O tempo é fundamental para o êxito de uma ocorrência. Muitas vezes, a vítima, por nervosismo ou tensão, não consegue informar sua localização. Recentemente, em uma chamada de violência doméstica, a ligação caiu, mas o sistema identificou o local, permitindo que a viatura chegasse a tempo de evitar um mal maior — afirmou.
Na Polícia Civil, o coordenador da Central Estadual do Plantão Digital, delegado geral Thiago Gomes Ribeiro, explicou que a tecnologia fortalece o trabalho investigativo.
— O SILOC otimiza investigações e ações policiais. Em um crime, a localização exata da chamada permite angariar imagens em áreas urbanas ou mapear o caminho do crime em zonas rurais. Em casos de homicídio, por exemplo, o policial militar no local pode acionar nossas equipes de perícia e investigação com a localização precisa, trazendo mais rapidez e técnica ao trabalho — destacou.
Já para o Corpo de Bombeiros, a inovação tem se mostrado vital em três frentes principais: resgates em matas, emergências urbanas e combate a incêndios florestais. O subcomandante-geral e chefe do Estado-Maior, coronel BM Moisés Magalhães de Sousa, destacou a relevância do recurso.
— Recebemos, em média, 1.200 chamados diários, com picos de 3 mil durante as queimadas, onde cada segundo é crucial. O SILOC elimina imprecisões na localização, sendo vital em três cenários: resgates em matas, reduzindo buscas de horas para minutos; emergências urbanas, com direcionamento preciso em vias complexas; e combate a incêndios florestais, com mais de 18 mil ocorrências este ano, permitindo ação rápida e preservação ambiental — explicou.
Redução de trotes
Outro impacto direto da implementação é o combate a trotes telefônicos. Apenas em agosto, foram registrados cerca de 11 mil casos de ligações falsas, que mobilizam recursos das forças de segurança de forma indevida. Com a geolocalização automática, o sistema dificulta a ação de quem tenta utilizar os canais de emergência de maneira irregular.
Atendimentos
Entre janeiro e agosto deste ano, a Polícia Civil recebeu 117.288 chamadas por meio do 197. No mesmo período, a Polícia Militar registrou 2,3 milhões de ligações para o 190. Já o Corpo de Bombeiros atende, em média, 1, 2 mil chamadas diárias pelo 193 na Região Metropolitana de Belo Horizonte, com picos de até 3 mil registros durante a estiagem.
A ferramenta também se mostra estratégica nos cerca de 70 atendimentos mensais de pessoas perdidas em trilhas ou matas, além de contribuir para otimizar investigações e acelerar perícias em crimes.
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