Trabalho bom

Leila Rodrigues
Era para ser uma viagem como outra qualquer. O mesmo corre-corre antes da viagem e os mesmos atropelos que não nos deixam viajar com cara de Bonequinha de luxo. E lá vou eu correndo com os brincos na mão e o sapato mais confortável que encontrei pela frente. Eu, meu livro e minhas dúvidas cruéis.
Na cabeça de uma mãe que viaja é sempre assim, será que eles vão ficar bem? E se derem fome? Será que tem leite suficiente? E se chegar alguma visita? Vão lembrar de alimentar a minha cachorra? Não adianta, por mais que a gente tente ser diferente é mais forte que nós.
Porém, no mundo dos negócios, manda quem pode e obedece quem faz o que gosta. Então a gente engole as preocupações e vai assim mesmo. Vai ser rápido, vai ser produtivo, vai ser como sempre foi. A ordem é viajar, trabalhar, aprender, dormir e voltar. Tudo planejado para cumprir o cronograma.
Ah mais é uma viagem! Ainda que de trabalho é uma viagem! Tem mala, tem hotel, tem aeroporto. Então é viagem! E como o universo das viagens não se explica a partir de alguma esquina tudo pode mudar. E muda!
Antes mesmo de embarcar encontrei a Cida Santana. Uma amiga muito querida que sempre que nos vemos é diversão garantida e boa prosa. Daí pra frente nada foi como eu planejei. Uma surpresa atrás da outra.
Velhos amigos que eu não via há muito tempo e novas pessoas que acabei conhecendo fizeram o meu dia terminar em longas conversas e muitas risadas. Aprendizado com pessoas que têm os mesmos valores que eu e o mesmo amor pelo que fazem. Isso é sintonia! Isso faz as coisas fluírem!
Amizade sincera e abraços verdadeiros fizeram daquele momento que seria de trabalho um fim de semana único na minha vida. Até chuva eu tomei! E fazia um bom tempo que eu não tomava chuva com vontade, sem correr dela. Quando se está de coração aberto, até os atropelos viram festa! O inesperado é tão bem recebido que se integra. A chuva, a bagagem estranha e difícil de carregar, o acordar às 5h de domingo. Tudo inesperado! Porém, bem recebido.
Volto para casa com a sensação de dever cumprido. Não! Volto com muito mais que isso. Dever cumprido, energias revigoradas, alma lavada e a certeza de que, enquanto tivermos um sorriso a oferecer, nunca estaremos sós.
A minha família? Ah eles ficaram muito bem! Acompanhados do inesperado também, em excelentes companhias. E eu continuo gostando de viajar!
leilarodrigues-palavras.blogspot.com.br
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