Transportadoras de cargas podem suspender atividades em todo o país no início de agosto

Da Redação
Transportadores de cargas do Brasil poderão entrar em greve no início de agosto, caso as mudanças na Lei dos Caminhoneiros (Lei 13.103/2015) feitas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) não sejam revistas. O setor encontra-se em "estado de greve" desde o início de julho, em protesto contra as alterações em dispositivos da Lei dos Caminhoneiros, que tratam da jornada de trabalho, descanso e fracionamento de intervalo (ADI 5322), feitas pelo Supremo em 30 de junho.
— Nesta semana, estivemos em Brasília e participamos de reuniões na Presidência da República, Ministério do Trabalho, Ministério dos Transportes e na Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), em que tratamos dos impactos negativos que a ADI deverá causar ao setor e para os motoristas. Agora, vamos aguardar até o fim do recesso parlamentar e do Judiciário. Caso nenhuma medida seja tomada, certamente as atividades do transporte rodoviário de cargas serão suspensas em todo o país — informa o presidente do Sindicato dos Transportadores de Combustíveis e Derivados de Petróleo do Estado de Minas Gerais (SindTanque-MG), Irani Gomes.
Lei
Em julgamento feito em plenário virtual no último dia 30 de junho, a Corte alterou, por 8 votos a 3, dispositivos da Lei dos Caminhoneiros que tratam de jornada de trabalho, descanso e fracionamento de intervalo. Prevaleceu o voto do relator, ministro Alexandre de Morais. Com a medida (ADI 5322), todo o período em que o caminhoneiro permanecer à disposição da empresa transportadora passa a ser considerado jornada de trabalho, por exemplo o tempo de espera para carga e descarga.
Para ele, as mudanças na Lei dos Caminhoneiros deverão causar um impacto bilionário no transporte de combustíveis, agropecuário e de bens de consumo, além de prejudicar os motoristas.
— Se essas medidas não forem revistas, os preços do frete vão disparar no país e inviabilizar o transporte de cargas, pois o Brasil não tem infraestrutura para cumprir com tais exigências de descanso. Com isso, os motoristas também deverão passar mais tempo nas estradas e longe de suas famílias — critica o presidente da categoria no estado.
De acordo com o dirigente, apenas no setor de transporte de combustíveis e de derivados de petróleo, o movimento já conta com o apoio de entidades representativas dos transportadores de Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Bahia e dos estados do Centro-Oeste.
Divinópolis
A reportagem ouviu alguns pontos de vendas para saber o que acontece nos bastidores das notícias veiculadas pelo sindicato e pelas redes sociais. Segundos relatos, o clima é de normalidade. Eles esperam que tudo seja resolvido em reuniões entre as entidades de classe e o governo.
— Circula essa informação, mas acredito que tudo será resolvido entre as partes envolvidas. Agora, se as mudanças persistirem, as transportadoras deverão se alinhar diante as novas exigências, o que pode realmente ocasionar em aumento de fretes, automaticamente repassados ao consumidor final — avaliou o gerente, Fabricio Alexandre Pontes.
O frentista Pedro Paulo da Silva não vislumbra esse cenário.
— Já ouvi essa história antes. Chega na hora, todo mundo senta, conversa e pronto. Segue a vida, com o consumidor pagando a conta. Mas não acredito em paralisação — concluiu.
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