Transporte coletivo terá reajuste de tarifa após cinco anos sem correção

Jonny Reisle
A crise no transporte coletivo de Divinópolis ganhou um novo e decisivo capítulo nesta quinta-feira, 16. Sem acordo entre trabalhadores, empresa e Prefeitura, o sindicato da categoria confirmou a greve a partir da madrugada de sexta-feira, 17, com uma assembleia marcada para as 3h, que contará com a presença da prefeita Janete Aparecida (Avante). O encontro será determinante para definir se haverá suspensão do movimento ou paralisação total da frota já nas primeiras horas do dia.
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De acordo com o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Divinópolis e Região (Sinttrodiv), Erivaldo Adami, o cenário segue indefinido, mas a tendência é de greve caso não haja uma proposta concreta que atenda às reivindicações da categoria.
— A greve vai acontecer a partir de amanhã [sexta]. Agora, se a prefeita e o consórcio chegarem lá e apresentarem uma proposta que o trabalhador queira avaliar e aceitar, eles têm a liberdade, mas o sindicato mantém o posicionamento da greve amanhã às três da manhã — afirmou.
Ele também reforçou que, se confirmada, a paralisação deverá atingir todo o sistema.
A prefeita Janete Aparecida, por sua vez, afirmou, em primeira mão ao Agora, que participará pessoalmente da assembleia em uma tentativa de evitar a interrupção do serviço, considerado essencial para a população.
— Estarei na assembleia defendendo a proposta, mas infelizmente eu não consigo evitar o reajuste para poder garantir que não falte o transporte — declarou.
Em tom enfático, ela ressaltou a disposição de dialogar diretamente com os trabalhadores.
— Eu não fujo da raia, eu vou conversar cara a cara com o trabalhador — disse.
Reajuste no centro do debate
Um dos principais pontos de impasse nas negociações é o valor da tarifa do transporte coletivo, que se tornou central nas discussões entre as partes. Segundo a prefeita, estudos técnicos indicam que o valor real da passagem poderia chegar a R$ 6,58, mas a gestão municipal considera esse patamar inviável para a população.
— O preço seria hoje em R$ 6,58, mas eu não consigo admitir que esse valor chegue para o cidadão pagar essa conta final. Estamos refazendo todos os cálculos para chegar no menor preço possível, dentro da legalidade e da capacidade do município — explicou.
A proposta em construção pela Prefeitura prevê um reajuste inferior a esse valor, aliado a mudanças no modelo de subsídio atualmente adotado. Ainda assim, a chefe do Executivo reconhece que algum aumento é inevitável, diante do longo período sem correção tarifária.
— Está há cinco anos sem nenhum reajuste, então sabemos que não será o que gostaríamos, mas será o mais justo possível — completou.
Negociações travadas
O atual impasse ocorre após uma reviravolta nas negociações registradas ao longo desta semana. Na segunda-feira, 13, durante reunião mediada pela Prefeitura, o Consórcio TransOeste apresentou uma proposta considerada avançada, que incluía reajuste salarial de 8%, vale-alimentação de R$ 800 e manutenção do chamado “Modcob”, gratificação paga a motoristas que também exercem a função de cobrador. A proposta foi aceita pelo sindicato e aguardava apenas formalização.
No entanto, na reunião realizada na quarta-feira, 15, a empresa mudou de posicionamento e passou a exigir aumento no subsídio público ou reajuste mais elevado da tarifa, o que foi rejeitado pela administração municipal. A Prefeitura alegou que os valores solicitados ultrapassam a capacidade financeira do município e poderiam comprometer outras áreas essenciais.
Como alternativa, o Executivo apresentou uma nova proposta, com reajuste da tarifa para R$ 5,50 no cartão — modalidade utilizada pela maioria dos passageiros — e R$ 6,00 para pagamento em dinheiro, além do fim do subsídio atual e sua substituição por um auxílio mensal de R$ 500 mil destinado ao custeio de combustível.
A proposta também não foi aceita pelo consórcio, que apresentou uma contraproposta com apenas 3% de reajuste salarial aos trabalhadores — índice considerado insuficiente pelo sindicato, o que manteve o impasse.
Crise se arrasta há meses
O cenário de tensão é resultado de um impasse que se arrasta há meses em Divinópolis. A categoria reivindica recomposição salarial, melhoria nos benefícios e melhores condições de trabalho, alegando perdas acumuladas ao longo dos últimos anos, sem reajustes compatíveis com a inflação e o aumento do custo de vida.
As primeiras assembleias realizadas no início de abril já haviam aprovado o estado de greve, diante da falta de avanço nas negociações. Desde então, reuniões entre sindicato, empresa e Prefeitura vêm sendo realizadas na tentativa de evitar a paralisação.
Na segunda-feira, após cerca de três horas de reunião, a expectativa era de avanço significativo. À época, a prefeita chegou a demonstrar otimismo com um possível acordo. No entanto, o recuo do consórcio na quarta-feira acabou frustrando as expectativas e agravando novamente o cenário.
Impactos e expectativa para desfecho
Caso a greve seja confirmada, os impactos tendem a ser imediatos e significativos em Divinópolis. Milhares de usuários dependem diariamente do transporte coletivo para trabalhar, estudar, acessar serviços de saúde e realizar atividades essenciais. Uma paralisação total da frota pode comprometer a rotina da cidade e gerar reflexos diretos no comércio, na indústria e em diversos setores da economia local.
Diante desse cenário, a assembleia desta sexta-feira surge como o momento decisivo para o desfecho da crise. A presença da prefeita indica uma última tentativa de construção de acordo entre as partes. Até lá, o clima segue de incerteza, com trabalhadores mobilizados, negociações travadas e a população apreensiva diante da possibilidade de ficar sem transporte público nas próximas horas.
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