Após cinco anos sem aumento, nova tarifa de ônibus começa a valer hoje em Divinópolis

Da Redação
A partir desta sexta-feira, 1º de maio, em pleno Dia do Trabalhador, os usuários do transporte coletivo em Divinópolis passam a pagar mais caro pela tarifa de ônibus. O reajuste, oficializado pelo Decreto Municipal nº 17.325/26, é resultado direto de um acordo firmado entre a Prefeitura, o Consórcio TransOeste e o Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários (Sinttrodiv), após um mês marcado por paralisações, impasses e risco de colapso em serviços essenciais da cidade.
Valores catapultam
Com a mudança, a tarifa para quem utiliza o cartão DivPass sobe de R$ 3,65 para R$ 5,50 — um aumento de pouco mais de 50%. Já para os passageiros que pagam em dinheiro, o valor passa de R$ 4,15 para R$ 6,00, representando uma alta de cerca de 44%.
O impacto também atinge o serviço noturno, conhecido como “Corujão”, cuja tarifa será de R$ 8,25 no cartão e R$ 9,00 em dinheiro. A medida atinge diretamente trabalhadores, estudantes e demais usuários que dependem diariamente do transporte público.
Colocando em números
Na prática, o reajuste reduz significativamente o poder de compra dos usuários. Uma recarga de R$ 100, que antes garantia cerca de 27 passagens no cartão e 24 em dinheiro, agora passa a render aproximadamente 18 viagens no DivPass e 16 para quem paga em espécie. Esse cenário reforça a preocupação de parte da população com o impacto do aumento no orçamento mensal, especialmente entre famílias de baixa renda.
Apesar do aumento imediato, o decreto estabelece uma regra de transição: créditos adquiridos no cartão antes da vigência do reajuste poderão ser utilizados com o valor antigo por até 60 dias. Após esse prazo, todas as viagens passarão a ser debitadas com a nova tarifa, o que deve acelerar a adaptação dos usuários ao novo modelo.
Crise e paralisação
O reajuste tarifário ocorre após dias de tensão no sistema de transporte público. No dia 17 de abril, motoristas e demais trabalhadores do setor iniciaram uma greve total, que deixou a cidade sem ônibus e afetou diretamente milhares de moradores. Cerca de 280 profissionais aderiram ao movimento, reivindicando melhores condições salariais e benefícios, além de ajustes nas condições de trabalho.
O impasse levou ao fechamento de garagens e acendeu um alerta na administração municipal, que passou a atuar como mediadora nas negociações entre o Consórcio TransOeste e o Sinttrodiv. A paralisação só foi encerrada após intensas rodadas de diálogo, que resultaram em um acordo entre as partes e evitaram um prolongamento da crise.
Entre os principais avanços conquistados pelos trabalhadores estão o reajuste do piso salarial para R$ 3.180,00 a partir de maio, além de um ticket alimentação de R$ 830,00 e a manutenção do plano de saúde. O entendimento garantiu o retorno imediato da frota às ruas e a normalização gradual do serviço, trazendo alívio à população.
Justificativa do reajuste
Segundo a Prefeitura, o aumento da tarifa é necessário para garantir o equilíbrio econômico-financeiro do sistema de transporte coletivo, que estava há cinco anos sem reajustes. Estudos técnicos apontam que o custo real por passageiro — a chamada “tarifa técnica” — atualmente gira em torno de R$ 6,58.
Ainda de acordo com dados da administração municipal, o sistema registra um custo mensal próximo de R$ 7 milhões e acumulou um déficit superior a R$ 10,2 milhões apenas nos primeiros quatro meses de 2026. Entre os fatores que pressionaram as contas está a alta de cerca de 26% no preço do óleo diesel em Minas Gerais, além de outros custos operacionais.
Diante desse cenário, a Prefeitura decidiu também encerrar o subsídio que era aplicado para manter a tarifa artificialmente mais baixa. Até então, recursos públicos eram utilizados para segurar o valor da passagem em R$ 4,15. Com o novo modelo, cerca de R$ 8 milhões previstos para esse fim em 2026 serão redirecionados para investimentos na área da educação, o que também gerou debate entre moradores.
Próximos passos
Com o fim da greve e a implementação do novo valor da tarifa, a Prefeitura afirma que irá intensificar a fiscalização sobre o contrato de concessão do transporte coletivo, cobrando melhorias na qualidade do serviço prestado à população, como pontualidade, conforto e manutenção da frota.
Além disso, a administração municipal já trabalha na preparação de uma nova licitação do sistema, prevista para o próximo ano. A expectativa é que o processo traga mudanças estruturais, mais eficiência na operação e maior competitividade, garantindo transparência e sustentabilidade financeira ao serviço.
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