Uemg segue sem previsão para suspender greve

Matheus Augusto
Os alunos da Universidade do Estado de Minas Gerais (Uemg) ainda não sabem quando voltarão às salas de aulas. A greve, iniciada no dia 2 de maio, segue sem previsão de terminar, com os professores à espera de uma proposta concreta do governo estadual. Apenas em Divinópolis são 3.300 mil estudantes.
O Agora conversou ontem com o professor de história da Uemg Divinópolis, Douglas Souza Angeli. Segundo ele, as reivindicações são antigas, sendo a greve resultado da frustração do diálogo com o Estado.
— A greve atrapalha o calendário, gera prejuízo aos estudantes, amplia nossa carga de trabalho, mas a gente não teve outra alternativa. (...) Queremos sair dessa paralisação com a Uemg fortalecida — avalia.
Reivindicações
Entre as cobranças, reajuste salarial, aumento no orçamento da universidade e cumprimento do acordo de greve homologado em 2018.
— E esse acordo nunca foi cumprido pelo governo do Estado — critica.
São 21 mil alunos nas 19 unidades, com mais de 140 cursos de graduação em Minas.
— Para manter essa estrutura com qualidade, é preciso investimentos em pesquisa, em projetos de extensão, em atendimento à comunidade — ressalta.
De acordo com o professor universitário, a Uemg perdeu cerca de R$ 100 milhões de orçamento desde 2023.
— Sufocando o funcionamento da Uemg — define.
Professores
No ranking das universidades estaduais nos Brasil, os professores da Uemg recebem o segundo pior salário, afirma Douglas.
— E isso é uma contradição, pois o Estado de Minas Gerais é o terceiro mais rico do país — compara.
Por isso, a defesa por melhores condições de trabalho. Enquanto na maior parte das situações o relato é de evasão escolar por parte dos estudantes, a Uemg também convive com a saída dos professores.
Fala do governador Romeu Zema (Novo), em entrevista à Rádio Jovem Pan, repercutiu mal entre os docentes.
— Se alguém acha que o setor público não paga tão bem, pode seguir carreira no setor privado também — afirmou.
E, segundo Angeli, essa é uma realidade no Estado.
— É justamente isso que está acontecendo — pontua.
Segundo ele, muitos professores têm deixado a Uemg em busca de melhores condições de trabalho. E o prejuízo não é apenas uma vacância no quadro de funcionários. A saída afeta diretamente as pesquisas em andamento, as atividades de extensão, o atendimento à comunidade, dentre outras atribuições.
A maior greve da universidade também clama pelo concurso público. Outro motivo para a saída dos docentes é a falta de estabilidade.
— São professores de excelência, mas que sempre no final do ano são demitidos — cita.
Negociação
A greve é consequência de uma série de tentativas de negociações, reuniões e audiências públicas sem resultados práticos.
— Até agora não tivemos nenhuma proposta concreta — lamenta. Por fim, Angeli destacou o papel da Uemg de possibilitar o acesso gratuito ao ensino superior, sendo necessário solidificar esse papel.
— Entendemos que é o momento da Uemg se consolidar como universidade pública — conclui.
Governo
À reportagem, o governo de Minas informou manter “diálogo aberto com todas as categorias, buscando reconhecer as demandas dos servidores e valorizar o importante trabalho prestado por eles ao Estado e à população mineira”.
— Mesmo diante da delicada situação fiscal do Estado, a atual gestão fez todos os esforços para garantir a revisão geral da remuneração dos servidores. Por isso, encaminhou à Assembleia Legislativa um Projeto de Lei (PL) prevendo reajuste geral de 3,62% nos salários de todo o funcionalismo público de Minas Gerais. A proposta prevê a recomposição salarial retroativa a janeiro de 2024 — acrescentou.
Ainda de acordo com o Estado, entre 2018 a 2023, o orçamento da Uemg cresceu 117%.
— Além disso, é importante ressaltar que o acordo judicial celebrado em 2018 para a reestruturação de carreira dos servidores da Uemg estabelece a implementação das metas previstas apenas após a superação das vedações impostas pela Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O limite máximo aceitável é o índice de 49%, sendo que o limite prudencial é estabelecido em 46,5% — hoje, esse comprometimento está em 51,4% — informou.
(Foto: Divulgação/Andes)
Docentes votaram pela paralisação
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