Um ano sem respostas: caso Pablo Almeida Martins completa 12 meses sem conclusão

Elian Ozéias
Completa neste sábado, 28, um ano da morte de Pablo Almeida Martins, de 14 anos, encontrado sem vida no bairro Ferrador, em Divinópolis. Doze meses depois, a investigação ainda não foi concluída e a família segue sem respostas definitivas sobre as circunstâncias e a causa da morte do adolescente.
Angústia
Desde o desaparecimento do filho, a dona de casa Simone Martins transformou a rotina em uma peregrinação constante à Delegacia de Polícia Civil. Segundo ela, a cada 15 dias retorna ao local em busca de informações sobre o andamento do inquérito.
— Eu já vim inúmeras vezes. Costumo vir de 15 em 15 dias. Sempre estou aqui para saber o que aconteceu com meu filho — relata.
Para Simone, a dor da perda é agravada pela ausência de esclarecimentos.
— Perder um filho já é difícil. Agora perder da forma que foi… a gente não dorme, não come direito. A vida da gente para. Fizeram muita covardia com ele — conclui.
Relembre o caso
Pablo desapareceu no dia 28 de fevereiro de 2025. Dois dias depois, o corpo foi encontrado em uma área do bairro Ferrador, próximo ao município de Carmo do Cajuru, em estado avançado de decomposição.
O primeiro laudo da Polícia Civil classificou a ocorrência como “encontro de cadáver”, sem apontar a causa exata da morte. A partir daí, a investigação foi instaurada para apurar as circunstâncias.
Segundo Simone, no dia do desaparecimento, dois colegas teriam ido buscar o adolescente.
— Eles sabem quem foi. Eu prefiro não citar nomes, mas falaram para mim — afirma.
A mãe acredita que o filho foi vítima de violência e questiona a ausência de uma definição clara sobre o que ocorreu.
— Eu quero saber a causa, o porquê de tanta maldade, crueldade e covardia com uma criança de 14 anos que tinha a vida inteira pela frente — desabafa.
Tentativas de registrar ocorrência
Simone também relata dificuldades enfrentadas nos primeiros dias após o desaparecimento. De acordo com ela, tentou registrar boletim de ocorrência presencialmente, mas teria sido orientada a procurar outra unidade e, posteriormente, a realizar o procedimento de forma online.
— Tentei inúmeras vezes fazer o boletim. Fui na delegacia que mandava para a militar, a militar mandava para cá. Liguei até em Belo Horizonte porque já estava desesperada. Me deram um papel para fazer online, mas eu não conseguia — conta.
Para a mãe, a sensação é de que o tempo perdido pode ter prejudicado as buscas iniciais. Hoje, ela afirma que o único pedido é por justiça e esclarecimento oficial.
Investigação segue
A Polícia Civil informou que o caso permanece sob investigação. Novos depoimentos foram colhidos, inclusive da própria mãe do adolescente, na tentativa de aprofundar as apurações e esclarecer os fatos.
Até o momento, porém, não houve divulgação pública sobre conclusão de laudo complementar ou indiciamento de suspeitos.
Dor que não passa
A data que se aproxima reacende a dor e reforça o apelo por respostas.
— Não é só por mim. É por ele. Ele merece justiça — afirma.
Enquanto a investigação não é concluída, Simone segue repetindo o mesmo gesto quinzenal: atravessa a porta da delegacia na esperança de que, enfim, alguém possa dizer o que aconteceu naquela noite de fevereiro. Um ano depois, a principal pergunta continua sem resposta: quem matou Pablo Almeida Martins e por quê?
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
