Votos para o Ano Novo

Prestes a ser iniciada mais uma etapa do calendário, é justo volvermos os olhos para o infinito e darmos graças a Deus por tudo que nos ocorreu durante o ano que se finda. Mesmo as coisas desagradáveis, porque só as presenciamos por estarmos vivos, e estar vivo é a graça das graças. E ainda tivemos saúde e sabedoria para resolver todos os problemas, além de disposição para carregar o fardo e a fé necessária para animar a caminhada, com a certeza de que iríamos chegar.
Mas ninguém caminha sozinho, porque ao longo do percurso muitas outras pessoas também caminham e os destinos vão se cruzando. O relacionamento humano é muito difícil, portanto, é preciso conviver. E viver com o outro exige paciência, compreensão, renúncia, amor. É preciso aceitar o outro como ele é, mas o outro também tem de entender que há mais alguém além de si, que merece carinho, atenção, enfim, amor.
Não temos família constituída, então, o tempo que dedicaríamos à nossa, o empregamos na observação da família dos outros, de maneira isenta, já que não somos parte do processo e com visão privilegiada, à distância. Por esta e outras razões, concluímos que devemos dedicar os nossos comentários de hoje às famílias, no sentido de ajudá-las na busca do equilíbrio e felicidade perene. Neste caso, nada melhor do que recorrermos aos textos sagrados, impregnados de sabedoria e santidade.
Na atualidade, boa parte das famílias está totalmente desestruturada. Pais e filhos não se entendem e, em determinados casos, chegam a ceifar a vida de um ou de outro. No Livro do Eclesiástico (Eclo 3,3-7,14-17a) assim está escrito: “Deus honra o pai nos filhos e confirma, sobres eles, a autoridade da mãe. Quem honra o pai alcança o perdão dos pecados; evita cometê-los e será ouvido na oração cotidiana. Quem respeita a sua mãe é como alguém que ajunta tesouros. Quem honra o seu pai terá alegria com seus próprios filhos; e, no dia em que orar, será atendido.” Este texto prossegue na exortação aos filhos no sentido de que tenham compreensão com os pais, mesmo que eles tenham perdido a razão.
São Paulo apóstolo, na carta aos Colossenses (Cl 3,12-21), faz aconselhamento na mesma linha do Eclesiástico, que pede a caridade dos filhos para com os pais, porém, ao mesmo tempo, pede o mesmo aos pais com relação aos filhos: “Esposas, sede solícitas para com os vossos maridos, como convém, no Senhor. Maridos, amai vossas esposas e não sejais grosseiros com elas. Filhos, obedecei em tudo aos vossos pais, pois isso é bom e correto no Senhor. Pais, não intimideis os vossos filhos, para que eles não desanimem”. Com carinho, estes são os nossos votos para 2019. Feliz Ano Novo!
augustofidelis1@gmail.com
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