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Augusto Ambrosio Fidelis

Vem aí o Dia do Folclore

Por Redação Jornal Agora · Redação· 3 min de leitura
Vem aí o Dia do Folclore

Augusto Fidelis

em hora que a família dá muito trabalho. Ainda ontem, tive de dar um pulo à casa da comadre Maria José e “pedir penico”. Cheguei lá e disse: comadre, em nome da nossa amizade de longa data, arranja-me um pouco de azeite para eu fazer um purgante para o Tonho da Maria Nega. Aquele menino “tem o olho maior do que a barriga”, chupou muita jabuticaba, engoliu os caroços, entupiu. Ela me entregou um vidro com quase meio litro, fiz o purgante e disse ao Tonho: segure a caneca com mão esquerda e a chave com a direita. Feche os olhos, respire fundo e beba tudinho. Ele chorou, reclamou, mas foi tiro e queda. 

Agora, chega a Das Dores com o Flavinho queimando de febre e quer que eu o faça dormir. Ora, com essa gritaria da molecada aí na porta, brincando de “Cabra Cega”, de “pique”, jogo com “bola de meia” e não sei mais o quê, ninguém aguenta. Das Dores, peça os meninos para brincarem de outra coisa: “finca”, “maré”, “passar o anel”, “bolinha de gude. Vai-te cuca, sai daí, vai pra cima do telhado, deixa o menino dormir seu soninho sossegado”.

Das Dores, este menino deve estar com mau-olhado, vou passar uma benzição nele: “Dois te botaram. Com três eu tiro. Te benzo, cristão, de mau-olhado. Rio, mar, dores e choros lava. Já lavou a moléstia desse cristão. Lavou com os poderes de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo. Deus põe a virtude. Amém”. 

Das Dores, “onde quebrou o pote e que vá procurar a rodilha”, mas antes me responda, depressa: “O que é, o que é? De boca para cima está vazio, e de boca para baixo está cheio?” Gente, depois que essa menina foi “morar lá nos cafundós do Judas” ela ficou lerda, mas “quem não aprende a tempo aprende com o tempo”, porque “carro apertado é que canta”. Vira e mexe a Das Dores “quer tapar o sol com a peneira”. Mas eu sei que “a pipa pinga, o pinto pia, o peito do pé do pai do padre Pedro é preto, e que a babá boa bebeu o leite do bebê”, porém, “o alheio chora seu dono”.

Sabe a dona Clotilde, mulher do Damaceno, professora da Vaninha? Pois é, ela disse que dia 22 de agosto é o Dia do Folclore e mandou os meninos fazerem trabalho sobre o Boi Bumbá, Reinado de Nossa Senhora do Rosário, lendas, ditos populares e assim por diante. Você não vai acreditar: na quaresma, ela teve a coragem de dizer para as crianças que mula-sem-cabeça e lobisomem não existem, são lendas do folclore! Gente, o Sô Joaquim ali da venda já lutou com um lobisomem, ele tem as marcas no corpo. A mulher dele, a dona Josefa, há pouco tempo, esteve às voltas com uma mula-sem-cabeça. Dona Josefa até chora quando conta. Disse que o bicho relinchava e soltava fogo pelos cascos e ventas. É por isso que o mundo está perdido, ninguém acredita mais em nada!


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