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Augusto Ambrosio Fidelis

Solidariedade animal

Por Jornal Agora· 2 min de leitura
Solidariedade animal

Não me lembro em que época, mas vi na televisão um documentário sobre a vida de animais nas florestas africanas, e uma cena muito me chamou à atenção. Na oportunidade, o comentarista perguntou: “Será que os animais são capazes de ter solidariedade com quem não é do meio deles?”. Evidentemente, aguardei com impaciência que se apresentasse o bloco de comerciais, para eu ver a atuação dos bichos nesse campo, já que solidariedade é um assunto que me interessa muito.

Logo depois foi mostrada uma manada de elefantes, caminhando em alguma direção. Nesse meio tempo, juntou-se a ela um filhote de outra manada, cuja mãe fora morta por caçadores. Em determinado momento da viagem, os elefantes desceram a um buraco para beber água. O órfão também desceu. Saciada, a manada se retirou do local, mas o elefantinho não conseguiu sair. Em princípio, condenado a morrer de fome ou devorado por outros animais.

Porém, a certa distância, as mães elefantes ouviram o barrir do órfão, que pedia socorro. De repente, voltaram todos. Do lado de fora, um dos elefantes entrelaçou sua trompa com a do filhote, enquanto outros desceram ao buraco e o empurraram para cima. Em poucos minutos estava salvo o elefantinho. Em seguida, meio cambaleante, seguiu os seus benfeitores. Diante do exposto, repito a pergunta: seriam os humanos solidários com quem não é do meio deles?

Bem, um amigo meu está injuriado com os seus semelhantes. Segundo ele, o ser humano é o único animal (racional) que é capaz de matar a própria mãe. Certo dia, numa roda, ele perguntou aos seus interlocutores: “Vocês já viram um gato, um cachorro, um leão matar a  mãe? Não, porque os animais irracionais não fazem isso. O lobo trata dos pais, quando estes, velhos e doentes, não podem mais sair da toca para caçar.”

Em seguida contou uma história muito triste de um filho que esfaqueou a mãe, sentada na cama, porque lhe negara dinheiro para comprar drogas. Segundo o próprio assassino, em depoimento à polícia, a mãe não reagiu, não gritou, não tentou se defender: simplesmente se deixou tombar e se exauriu, como se conformada com a má sorte, a de ser morta pelo próprio filho, a quem havia dedicado toda a sua vida para transformá-lo num homem de bem. Ao terminar a história, o narrador voltou ao tema: “Vocês acham que uma cobra seria capaz de engolir sua própria mãe? Não, meus amigos, somente o ser humano faz isso.”

O mundo sempre foi violento, no entanto, na atualidade, parece que as coisas estão piores, principalmente para os pobres, obrigados a tolerar toda e qualquer injustiça por falta de opção, por não ter aonde ir. Algumas pessoas, mais do que outras, são vítimas de guerras, de facções criminosas e até mesmo do destempero das autoridades que deviam proteger os desvalidos. Às vezes, o cachorro é o único confidente, em quem se pode confiar. Uma lástima!

augustofidelis1@gmail.com 


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