Dinheiro Público

Augusto Fidelis
Em um de seus memoráveis discursos no Parlamento Britânico, a então primeira-ministra Margaret Thatcher foi enfática: “Não existe dinheiro público, mas somente o dinheiro dos pagadores de impostos”. E disse muito mais: “Nenhuma nação jamais se tornou próspera por tributar seus cidadãos além da capacidade de pagar. Se o Estado deseja gastar mais, ele só pode fazê-lo tomando emprestada a sua poupança ou cobrando mais impostos. E não adianta pensar que alguém vai pagar. Vai, mas esse alguém é você.”
Margaret Thatcher era conhecida como “Dama de Ferro” devido à sua postura firme e visão de mundo. Sua luta em prol dos interesses do Reino Unido a levou a bater de frente com seus desafetos, tanto em solo pátrio quanto em outras nações. Durante seu governo, o presidente argentino, general Leopoldo Galtieri, resolveu tomar à força as Ilhas Malvinas (Falklands War, em inglês). Thatcher enviou uma força-tarefa e retomou as ilhas, o que resultou na morte de 649 soldados argentinos e 255 britânicos, entre os quais três civis.
Protagonizou escaramuças com a Rússia, não se intimidou com as ameaças soviéticas e impediu que o regime vermelho avançasse além dos limites anteriormente postos. Inicialmente, teve problemas de relacionamento com a rainha Elizabeth II, frequentemente desmarcando os encontros semanais, mas depois se tornaram grandes amigas. Quando de seu funeral, a rainha se fez presente e expressou seu profundo pesar.
A resistência de Margaret Thatcher quanto ao aumento de impostos encontra eco ao longo dos séculos. Para Frédéric Bastiat (1801–1850), tributar as rendas mais altas com uma porcentagem maior de impostos do que as mais baixas se assemelha a castigar as pessoas por terem trabalhado mais duro e poupado mais que seus vizinhos. Seu antecessor, Winston Churchill (1874–1965), salientou: “Uma nação que tenta prosperar à base de impostos é como um homem com os pés num balde tentando levantar-se puxando a alça.”
Continua válido o pensamento de Ludwig von Mises (1881–1973): “Os impostos não apenas nos empobrecem (tirando-nos uma parte substancial do produto do nosso esforço). Também nos tornam menos livres, já que são o mecanismo que o Estado emprega para nos fazer consumir isto e não aquilo, ou nos comportamos economicamente de uma ou outra maneira. Tributando ou não à sua vontade, o Estado nos induz a agir como lhe for conveniente. Assim, os impostos nos convertem em marionetes do ministro da Economia.”
Nós, os brasileiros, estamos cada vez mais pobres e, sobretudo, endividados. Quando se pensa que haverá uma melhora, lá vêm mais impostos, mais pedradas, mais desatinos. Não há para onde correr, porque o mundo todo está em ebulição. Conflitos pululam daqui e dacolá. O ser humano está cada vez mais egoísta e beligerante. Se bem que, na verdade, o mundo nunca esteve totalmente em paz. Sigamos adiante!
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