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Augusto Ambrosio Fidelis

A juventude e o tempo

Por Bruno
A juventude e o tempo

Augusto Fidelis

Vira e mexe alguém me pergunta: quantos anos você tem? Confesso que às vezes me sinto atordoado ante a esta indagação, por dois motivos: não concordo com a crueldade da minha certidão de nascimento, mas também tenho consciência que já não me enquadro nos padrões de juventude convencionados pela sociedade. Além disso, vejo aumentar a cada dia o cordão dos desavisados que me chamam de “Senhor”. A minha amiga Nair fica furiosa quando alguém a chama de senhora: “Se me chamar de senhora é sinal de respeito, me desrespeite, por favor”, enfatiza. Ninguém quer envelhecer, no entanto, o tempo não larga o chicote. No entanto, brada Fábio Sexugi: “Não quero perder aquilo que mais admiro na juventude: a inquietação”.

Para um jovem tudo tem mais graça, mesmo os cabelos desalinhados, a calça desbotada ou até rasgada, muito abaixo da cintura, o brinco na orelha esquerda. É uma fase de buscas, de entusiasmo de arroubos. “Quem não tiver entusiasmo na juventude, nunca o terá”, admoestou o General Freitas certa vez aos recrutas do Tiro de Guerra 04-019.

Na atualidade, com tantos convites à perdição, muitos jovens jogam no lixo a época mais linda de suas vidas, quando se deixam levar pelas drogas e pelo crime. Os jovens que se aventuram por essas trilhas, em geral, terão como recompensa apenas a cadeia ou a morte. O que é uma lástima, pois o jovem que desperdiça a sua mocidade se aventurando na marginalidade, deixa escorrer por entre os dedos um futuro que poderia ser brilhante.

Enquanto isso, aqueles que aproveitaram como se recomenda a idade do gozo, e seguiram adiante, sonham em manter a mesma energia e vitalidade, como clama a Deus o poeta Jadir Vilela de Souza num de seus sonetos: “Por que, Senhor, é curta a mocidade / É assim também tão curta a nossa vida. / Que bom seria se em qualquer idade / a velhice não fosse percebida.” Na quadra seguinte, Jadir Vilela prossegue com o seu clamor ao Altíssimo, rogando que afaste de si a velhice: “Ela nos vem, parece, por maldade, / Embora seja sempre repelida. / Aumenta, Senhor Deus a mocidade... / Prolonga, por mais anos, nossa vida.”

Nos dois tercetos que completam o soneto, Jadir Vilela brada aos céus e argumenta que, se prolongar a mocidade de seus filhos, Deus estará melhor servido com os jovens: “Que a nossa juventude seja eterna; / Que a vida, para sempre, seja terna; /  Que nunca falte amor pelos caminhos! / E quando a nós vier o teu chamado, / Esteja certo que, no teu reinado, / Só jovens tu terás, nunca velhinhos!”

Eterna é a luta da humanidade em busca da vitalidade eterna, sem sucesso até o presente momento. “Choremos a juventude e a velhice também, pois a primeira foge e a segunda sempre vem”, alerta Teógnis. Mas é Nanda Volpe quem aponta o verdadeiro culpado pelo sofrimento de quem tenta se agarrar à juventude que se esvai mais depressa do que se deseja: “O tempo é o maior dos ladrões, ele nos rouba a infância, a juventude, a beleza, a saúde, a consciência até, por fim, nos roubar a própria vida.”

augustofidelis1@gmail.com 

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