O tempo voa

Estamos na Quaresma e em breve entraremos na Semana de Dores, época em que a Igreja convida os fieis a meditarem sobre o papel de Maria na História da Salvação. Durante os últimos dois milênios, Maria tem recebido muitos títulos, todos concedidos carinhosamente pelo povo, pessoas de coração simples, à medida que ela intercede diante do Trono Celeste por aqueles que a invocam.
Quando os pescadores encontraram sua imagem no rio Paraíba, logo perceberam que se tratava de uma imagem de Nossa Senhora da Conceição. No entanto, o povo que ia ao seu encontro a chamava de Aparecida, isto é, a imagem aparecida no rio.
Honrar a Maria não significa, em hipótese alguma, colocá-la no lugar de seu Filho; mas, em sã consciência, ninguém pode desmerecê-la, pois, entre todas as mulheres, foi a escolhida para ser a mãe do Salvador. Durante nove meses o carregou em seu ventre. Cristo é sangue do seu sangue, é carne da sua carne. Enviado pelo Altíssimo, coube ao arcanjo Gabriel dar-lhe a notícia: “Ave, Cheia de Graça, o Senhor é contigo”. Ao final da saudação, e depois dos questionamentos a que tinha direito, Maria assumiu a responsabilidade: “Eis aqui a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra.”
Ciente do seu papel, quando da sua visita à prima Isabel, Maria mesma profetizara: “Doravante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.” Nenhum homem ou mulher pode se proclamar servo do Senhor se não se espelhar em Maria. Como mãe, foi mestra do Salvador, mas esvaziou-se dessa condição, a posteriori, para ser sua primeira discípula. “Minha mãe e meus irmãos são aqueles que ouvem a palavra de Deus e a põe em prática”, disse Jesus. Maria concebeu e deu à luz a “Palavra Encarnada”.
A Bíblia registra sua presença aos pés da cruz e o povo lhe deu o título de Nossa Senhora das Dores. Quando recebeu em seus braços o Filho sem vida, foi invocada como Nossa Senhora da Piedade. “Fazei tudo o tudo o que ele vos disser”, recomendou a mãe zelosa aos empregados do noivo que ficara sem vinho na festa de casamento, em Cana da Galileia. Como resultado, os convivas se deliciaram com um vinho de qualidade muito superior. Os pedidos feitos à mãe são atendidos pelo Filho.
“Jamais se ouviu dizer que fosse por vós desamparado quem tenha recorrido à vossa proteção e implorando o vosso valimento”, conclamou São Bernardo. Assim, enquanto os cristãos se preparam para meditarem sobre o sofrimento de Cristo em favor do povo de Deus, é justo contemplarmos os mistérios que envolvem sua mãe, que certamente nos pergunta: “Há dor semelhante à minha dor?”
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