Só escola não basta

Augusto Fidelis
Na introdução do livro “Vida Positiva”, Olavinho Drummond é enfático: “Para ser sábio não precisa ser culto. O sábio e o culto não se confundem”. Mais adiante o autor explica o porquê: “Cultura é quantidade de informação, e sabedoria é qualidade de vida”. Drummond diz ainda que “viver com sabedoria é ter o amor como ponto de referência. É deixar que os sentimentos puros prevaleçam, sobretudo, nos momentos de aflição, pois estes requerem melhor decisão”.
No Brasil, atualmente, todas as vezes que se fala na busca de uma solução para o surto de criminalidade que assola o país, as autoridades da República, que preferem deixar “do jeito que está para ver como fica”, logo divagam: “É preciso melhorar a educação”. Quem pensa que a criminalidade está associada à baixa escolaridade se engana redondamente. Não está. A vagabundagem a que assistimos em todos os níveis da sociedade não acontece por falta de escola, mas por falta de ética.
Em Divinópolis, por exemplo, pelo menos no que tange ao ensino fundamental, há vagas para todos que querem estudar, inclusive adultos. Na escola, os alunos ganham cultura, aprendem muitas coisas. Será que ganham também sabedoria? Pode ser que sim, mas pode ser que não, já que sabedoria é muito mais uma questão de berço. Se uma criança não tem bons exemplos em casa, a tendência é levar seus maus modos para a escola e contaminar os colegas. No curso superior, aqueles que passaram incólumes pelo ensino médio, correm o risco de serem estragados, uma vez que o ambiente é bastante propício. Podem até sair mais cultos, mas nem sempre mais sábios.
É preciso resgatar as virtudes familiares. Para tanto, seria necessário um esforço hercúleo, com participação do governo, de todas as entidades constituídas e principalmente dos meios de comunicação. A crise ética aumentou à medida que aumentou também o número de aparelhos de televisão nos lares, particularmente nos últimos 20 anos. No caso das novelas, não é a arte que imita a vida, mas a vida é que imita a arte, pois as pessoas passam a empregar no dia a dia a falta de ética vivida na telinha.
Enquanto as autoridades competentes discordam sobre os métodos a serem empregados para combater a violência, aumenta o número das vítimas inocentes. Algumas até conseguem uma certa comoção da sociedade, e pronto. Pelo menos em parte, é verdade que os ladrões mais cultos conseguem arrancar tudo de suas vítimas, inclusive dos cofres públicos, sem usar de violência física. Bem, talvez uma das soluções seja mesmo melhorar a escola, mas só isso não basta. É preciso punir com rigor, enquanto se faz o resgate da etica.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
