As cortinas não se fecham

Augusto Fidelis
Atraso de voo, desvio de parte da bagagem, atuação da Polícia Federal com eficiente identificação dos larápios e mais uma série de contratempos impediram que dona Mariquita viesse a Divinópolis, como estava previsto, para participar do baile pré-carnavalesco “Zélia Brandão abre as cortinas do passado” que, neste ano, seria o último já com outro nome: “Zélia Brandão fecha as cortinas do passado”.
Vinda de Washington, dona Mariquita chegou a São Paulo, onde foi recebida pelo governador Tarcísio de Freitas e, devido aos fatos mencionados, achou por bem seguir até a capital francesa, local da sua residência oficial. Paris está em caos devido à política de imigração do presidente Macron. Aliás, os governos europeus passam a mão na cabeça de criminosos em prejuízo da população local.
Ainda em São Paulo, dona Mariquita me ligou para falar da sua impossibilidade de vir a Divinópolis, porém, solicitou-me um relatório sobre o que se sucedera no Estrela do Oeste Clube no último dia 14. Agora, estou aqui matutando como elaborar esse documento, visto que a Internacional é muito exigente.
Bem, acho que vou começar assim: “Prezada amiga, saudades. Quanto à noite carnavalesca do último dia 14, foi sucesso absoluto. A felicidades dos foliões era visível em cada rosto. A novidade é que esta não foi a última edição como anunciado. Até que Zélia tentou, mas o passado não se dá por vencido. Zélia arrogou para si a condição de guardiã da porta que leva ao passado de glória da sociedade divinopolitana, portanto, autoriza a fechar essa passagem quando bem entendesse. No entanto, o seu legado será passado a outrem, pois a memória se mantém firme e forte.
Sua ausência, dona Mariquita, foi muito sentida. A Vereda Show ensaiou durante três meses o toque de clarins que anunciaria a sua presença. Permita-me, dona Mariquita, não citar nomes, porque a estimada amiga vai ficar muito triste. Tantas pessoas que desejaram vê-la no baile não compareceram desta vez, porque partiram, não estão mais no nosso meio.
Sugiro à estimada amiga encontrar tempo para retornar à cidade natal, rever os amigos que ainda restam, pois as despedidas estão muito frequentes. Apesar de toda a sua importância para o mundo, dona Mariquita, é sempre bom beber da água que por tantas vezes a saciou o corpo e confortou a alma. É muito bom apreciar àqueles que também nos apreciam e dão força na caminhada. Veja o exemplo de Zélia Brandão: ela bem que tentou fechar as cortinas do passado, mas não pôde. Então passou o bastão para o Jornal Agora, que continuará o seu legado.” E viva a vida!
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