Em meio às tempestades

A promessa de Jesus feita a Pedro continua em pleno cumprimento: as portas do inferno não prevaleceram contra a sua Igreja. Assim, eis que a barca de Pedro continua singrando os mares em meio a alguma calmaria e muitas tempestades. Às vezes parece que vai afundar, mas, quando não se espera, os ventos se acalmam, o leme muda de mão e a barca segue o seu destino com tranquilidade, até que outras tempestades se levantem.
Justamente quando o antecessor usava de pás e picaretas na sanha de derrubar os pilares da Igreja, eis que é chamado à prestação de contas diante do Trono Celeste, e em seu lugar é eleito quem vai reequilibrar o peso da barca. Assim, contra ela virão os ventos fortes e as ondas medonhas, mas a barca não afundará, porque aquele que parece dormir tem domínio sobre os ventos.
Há uma semana, em meio às expectativas e surpresas no mundo inteiro, apareceu na sacada principal da Basílica de São Pedro aquele que ninguém esperava e, ali, recebia as chaves que o autorizam a abrir a porta que interliga o humano e o sagrado, para o louvor a Deus e santificação das almas, função primeira da Igreja.
Pelo fruto se conhece a árvore. O cardeal Robert Prevost, ao adotar o nome de Leão XIV, evoca sobre si o legado de mais treze papas que adotaram o mesmo nome, principalmente o penúltimo, cujo pontificado se deu entre 1878 e 1903. Entre as inúmeras encíclicas publicadas por ele está a Rerum Novarum, na qual combate severamente o comunismo e os excessos do capitalismo.
Na verdade, um papa não tem de ser de direita e nem de esquerda, mas alguém que cuide da Igreja como instituição divina e milenar, evidenciar os ensinamentos de Jesus e confirmar os irmãos na fé. Deus criou o homem e a mulher e ordenou: multiplicai-vos. Então, nada de bênção para casais do mesmo sexo. Nada de seguir a agenda da ONU, porque a agenda da Igreja é Jesus Cristo, que deve estar continuamente no centro do altar.
Embora o Papa Leão XIV tenha citado com frequência o seu antecessor, não significa em hipótese alguma que vai se manter na mesma linha. Aliás, nem pode, porque a Igreja foi detida à beira do abismo. Deus sempre intervém na hora certa e impediu que, com um pouco mais de tempo, aquele que deveria salvá-la a empurraria barranco abaixo, para agradar ao mundo e não ao Altíssimo.
A Igreja Católica é a maior instituição religiosa e mais antiga do mundo. Ao longo desses dois mil anos, contribuiu de maneira ímpar para a humanidade em diversos campos, incluindo educação, saúde, caridade e desenvolvimento social, além de ter influenciado a cultura, a arte, a música e a legislação. A Igreja foi e continua sendo a guardiã do conhecimento, promovendo valores como justiça, igualdade e dignidade humana. Que Deus a proteja e a conduza pelos séculos que hão de vir.
Augusto Fidelis
augustofidelis1@gmail.com
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