Olhar de um Velho Lobo

Augusto Fidelis
É próprio do tempo: generoso com uns e cruel com outros. O estimado amigo Eduardo Duarte de Freitas encontra-se no primeiro grupo, entre aqueles em que o tempo usou de todas as suas benesses para com ele, provando-o, às vezes, é verdade, mas conservando-o com formosura e bons fluídos, para que pudéssemos nos reencontrar mais de 20 anos depois, e constatar que hoje ele está muito melhor do que outrora.
Fomos colegas de trabalho nos anos de 2001 e 2002, sendo Eduardo o meu diretor de Comunicação na Prefeitura de Divinópolis, no governo de Galileu Machado. Ele é natural de Nova Serrana, onde nasceu aos 6 de abril de 1965, portanto, ainda celebrando seus 60 anos. A prematura perda do pai, André de Freitas, num acidente automobilístico o impactou consideravelmente, porém o sustento da mãe, Rosina, e de mais cinco irmãos deu alento na caminhada.
Entre as adversidades que a vida lhe ofereceu, para provar a ele mesmo de que é duro na queda, salvou-se de uma queda de avião, sobreviveu a uma queda de dez metros sobre chão de cimento grosso, quando arrumava uma caixa d’água, sobreviveu a uma meningite bacteriana.
O saldo positivo de tudo isso é que os solavancos da vida despertaram o poeta que morava dentro de si. Incentivado por Adélia Prado, Eduardo acaba de apresentar ao mundo literário o seu maravilhoso livro intitulado “Olhar de um Velho Logo”. A obra é toda ilustrada por ninguém menos do que Bene Rizzo, profissional que em 1980 foi convidado pela Rede Globo a integrar a equipe para fazer vinhetas promocionais e abertura de programas e novelas. Bene trabalhou na emissora por 30 anos.
“Olhar de um Velho Lobo” é uma obra de arte, com capa acolchoada, fita de marca-página e uma fileira de lirismo ao falar dos sentimentos da alma, do cotidiano, da natureza, ao enaltecer o amor, como em Querer Bem: “Sem você vou levando / preciso de sua presença / sem os seus beijos macios / sem sua boca ardente / seu carinho / suas mãos quentes. / Seu sorriso de criança / sua voz que me acalenta / vou fazer de conta. / Brincar / Amar / Te amar é bom / me faz bem. / Bem-me-quer / bem me queira / e vamos nos querendo assim. / Amando / sem pensar no fim.”
No poema de abertura do livro, chamado “Vida”, Eduardo começa assim: “Alguém um dia me disse que a vida começa aos quarenta. / Penso com frequência nisso, passando minha vida a limpo. / Revirando gavetas, jogando fora papeis do passado, fotos que o sentimento esvaziou.” Bem, no meu entendimento, para Eduardo Duarte de Freitas, a vida realmente começou aos quarenta ou próximo disso. Hoje, é um empresário de sucesso, com uma vida e família consolidadas e, sobretudo, poeta. Por tudo Deus seja louvado!
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