Recado da Internacional

Augusto Fidelis
Daí, vieram me perguntar: o Brasil nesta confusão toda, com risco de rompimento institucional, e Dona Mariquita não fala nada, não intervém, não se apresenta! Aonde anda a Internacional? Dei total razão aos meus interlocutores e saí a campo em busca de uma resposta. Fiz várias ligações para a mansão de madame em Paris e recebia sempre a promessa da secretária Cíntia Alencar de que ela me retornaria, e nada. Eu já estava desanimado.
Ontem, porém, Dona Mariquita apiedou-se e volveu seu olhar para este menor dos menores dos seus amigos. Relatei-lhe minuciosamente a minha inquietude. Aliás, minha não, dos interlocutores que me abordaram cheios de temores e ansiedade. E sabe o que ela me respondeu?
- O Brasil está à beira do abismo e querem que eu estenda a mão, que eu dê um jeito na coisa? Ora, onde quebraram o pote que vão procurar a rodilha! Eu falei, avisei, dei-me no trabalho de escrever dezenas de livros com muitos alertas. Alguém leu alguma coisa? Ninguém precisa dizer que leu, porque não leu. Se tivesse lido, a situação não estaria do jeito que está. Não amole!
Honestamente, fiquei esterrecido com este posicionamento da Internacional. Tudo bem, ela não mora no Brasil, tem toda a sua vida e fama construída na França, mas isso não lhe dá direito de menosprezar os conterrâneos. Resolvi questionar:
- Dona Mariquita, com todo respeito e carinho pela estimada amiga, desejo saber: há anos a senhora é assessora dos presidentes franceses. Sai presidente, entra presidente, a senhora está no cargo. Mas na França está o caos. O que está acontecendo aí, os franceses não estão lendo?
- Eu sou a assessora e não o presidente. O atual é muito vaidoso e só faz burradas. A França ainda não se afundou numa crise sem precedentes porque eu estou aqui segurando a onda. Os franceses natos leem os meus livros, aprendem a discernir o joio do trigo. Agora, a galera dos barbudos realmente não tem jeito. Mais cedo ou mais tarde o caldo vai entornar. Mas ninguém pode me acusar de negligente!
- Mas, quanto ao Brasil, nada pode ser feito? – insisti.
- Não devo interferir diretamente, porém, tenho quem o faça. Diga aos brasileiros, que Mariquita não larga a mão de ninguém. Aos desavisados, esclareça: quem não pode com a mandinga que não carregue patuá, sem a instrução de uma profissional. O alheio chora o seu dono, então, depois do expurgo, tudo voltará ao normal.
Gente, isto significa que Dona Mariquita vai agir. O Brasil é grande, é rico e tem um povo que lê pouco, mas de muita fé. Afinal, nesta vida, nenhum tirano é para sempre. Tenho dito!
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