Abre-te, Sésamo!

Augusto Fidélis
Há muitos anos, talvez nas calendas do tempo, viveu numa cidade da Pérsia um cidadão chamado Ali-Babá, o qual conheci pessoalmente. Quando o pai morreu, a pequena herança foi dividida entre ele e o irmão Cassim. Quis o destino que Cassim se casasse com uma mulher de família abastada e se tornou muito rico. Ali-Babá, no entanto, casou-se com uma moça de família pobre, porém muito virtuosa. Por isso, todos os dias, ele ia à floresta apanhar lenha, para vender na cidade.
Certa vez, quando lenhava à margem da estrada, Ali-Babá ouviu o tropel de muitos cavalos. Pensando que se tratava de malfeitores, escondeu a sua mula no mato, trepou numa árvore frondosa e ficou a observar o que se passava. De repente, 40 homens sisudos aproximaram-se de um rochedo bem em frente de onde ele estava, apearam, e o que parecia ser o chefe, gritou com voz forte: “Abre-te, Sésamo”. A rocha se abriu e os recém-chegados entraram um a um, levando para dentro toda a carga que traziam.
Mais ou menos duas horas depois, a rocha se abriu, os homens saíram, montaram nos seus cavalos, e se foram a galope. Apavorado, Ali-Babá suava frio, sentia vontade de se debandar do local, mas a curiosidade foi mais forte. Depois de verificar que não havia ninguém nas proximidades, resolveu fazer o teste. Impostou a voz como chefe dos ladrões e ordenou: “Abre-te, Sésamo”. Para seu espanto, a rocha se abriu. Ali-Babá entrou e, a cada passo, uma surpresa: a claridade vinha de uma fresta no cume da rocha; por todos os lados amontoados de tecidos carros, barris de moedas de ouro, joias, e o mais incrível: Sésamo era um burrinho atrelado a uma engrenagem, a qual movia a entrada da gruta.
Ali-Babá pegou o que podia e, do lado de fora, ordenou a Sésamo que fechasse a entrada. Quando Ali-Babá chegou em casa com aquela fortuna, a mulher pensou que ele fosse ladrão. Esclarecidos os fatos, a mulher foi à residência da cunhada pedir uma vasilha para medir as moedas de ouro, já que não podia contá-las. Só sei que, na fritada dos ovos, Cassim descobriu o segredo do irmão e, como já não bastasse a sua riqueza, quis ele também entrar na gruta. Na hora de entrar, tudo bem, mas na saída ele se esqueceu de alguns detalhes e Sésamo empacou. Logo depois os ladrões chegaram e, ao encontrarem o intruso, fizeram picadinho dele.
Numa investigação eficiente de um dos ladrões, logo se pôde saber quem estava por trás de tudo: Ali-Babá. Na guerra que se seguiu, Ali-Babá expulsou os ladrões da cidade e ficou com a fortuna deles, sob a alegação de que o achado não é roubado. Os ladrões, por sua vez, fugiram para o Brasil onde constituíram numerosa prole.
Comentários
Participe da conversa — todos os comentários passam por moderação.
Carregando comentários…
