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“Nunca avisei aos gestores” diz diretora sobre atualização da planta de valores

Por Portal Agora
“Nunca avisei aos gestores” diz diretora  sobre atualização da planta de valores

Maria Tereza Oliveira

Após o hiato de uma semana, ontem foi realizada a quarta oitiva da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana (IPTU). Desta vez dentre os convocados e ouvidos estava a secretária de Obras Públicas e filha do prefeito Galileu Machado (MDB), Cláudia Abreu Machado; gerente de cadastro, Renê Nogueira; a secretária de Planejamento Urbano e Meio Ambiente,  Flávia Mateus Gontijo D'Alessandro; e a diretora de políticas urbanas, Maria Elisa Carvalho Souto Madeira. Durante as falas, a importância da atualização da planta foi mencionada.

Desde que foi proposta pelo vereador Edson Sousa (MDB), a CPI do IPTU causa polêmicas na Câmara e traz de volta o debate sobre a atualização da planta de valores.

A comissão é composta por Renato Ferreira (PSDB) na presidência, César Tarzan (PP) como relator, Eduardo Print Jr (SD) nas relações públicas, além de Marcos Vinícius (Pros) e Edson Sousa como membros.

As oitivas começaram no dia 15 de abril. Na primeira sessão também foram ouvidos ex-diretores de cadastro, Antônio Carlos de Assis e Ricardo Moreira, além dos ex-secretários municipais Renato Miranda Barbosa e Honor Caldas de Faria. Já na semana seguinte, dia 22 de abril, foi a vez do atual diretor de Cadastro, Fiscalização e Aprovação de Projetos da Prefeitura, Emerson Gregório da Silva, e o ex- ocupante do mesmo cargo, Willian de Araújo. Na última oitiva, realizada no dia 29 de abril, foi a vez do ex-diretor de Cadastro, Fiscalização e Aprovação de Projetos da Prefeitura, Roberto Machado, o ex-secretário da Fazenda e Controle Financeiro, José Sinésio Pereira Júnior e a analista da Diretoria de Cadastro, Fiscalização e Aprovação de Projetos, Ediza Rodrigues do Couto.

Valores

O vereador requerente da CPI começou as perguntas relembrando sobre os 26.200 imóveis que pagam valor abaixo da cota mínima de IPTU. Ele ainda defendeu a instalação da comissão e destacou os benefícios das investigações.

— As CPI’s sofrem preconceito de algumas pessoas. Ele é o maior instrumento do Poder Legislativo e tem a possibilidade de investigação equiparado ao do poder Judiciário — enalteceu.

Edson quis saber do gerente de cadastro como funciona a rotina dos lançamentos dos imóveis.

Renê Nogueira respondeu que a gerência dele é de apenas cadastros de lotes.

— Assim que o loteamento é aprovado no Município, ele é encaminhado para a nossa gerência. Em questão de casas e construções, o responsável é pela fiscalização de obras. Apenas os lotes vagos que são lançados pelo cadastro — informou.

O gerente ainda inteirou que o valor de cada loteamento é de acordo com o que foi cobrado em lotes daquela região.

— Os valores são padronizados e são baixos, já que eles estão nas plantas de valores que só foi atualizada em 1993 — lembrou.

Sem aviso?

O próximo vereador a fazer perguntas foi Marcos Vinícius. Ele salientou que o cenário atual do Município é financeiramente desfavorável. O parlamentar acusou a administração de não fazer sua parte, principalmente com os atrasos dos repasses estaduais e da União.

— A principal arrecadação do Município atualmente é o IPTU. Nós recebemos mensalmente cerca de R$ 10 milhões em receita, mas em contrapartida, a folha de pagamento é o dobro. A conta não fecha e quando vemos esses valores desatualizados a situação fica mais gritante — comparou.

Marcos Vinícius questionou aos ouvidos se, como técnicos, o que eles fizeram junto aos gestores para que as correções fossem feitas há mais tempo. Ele ainda quis saber se a ausência de revisão interessava alguém e se falta vontade política com medo de questões eleitorais.

Maria Elisa se desviou do assunto e disse que como a questão da planta de valores é de competência do Cadastro e Secretaria de Fazenda e, não ela como parte da diretoria de planejamento.

— Até então eu nunca provoquei a Administração sobre a atualização. A gente tinha conhecimento, mas não informava. Acredito que a Secretaria da Fazenda tenha alertado os governantes. Mas a partir do plano diretor, a planta de valores precisa ser atualizada de quatro em quatro anos. Então tem de atualizar por lei — se esquivou.

Já para Flávia Mateus, desde que ela assumiu a Secretaria de Planejamento Urbano e Meio Ambiente, o assunto da atualização da planta de valores tem sido prioridade.

— Eu atuava em outra área, estou na diretora de políticas urbanas há um ano. Desde então, percebo o desenvolvimento do trabalho da atualização da planta, assim como o georreferenciamento têm destaque. O intuito é de dar ferramentas para trabalhar melhor e gerar receita para o Município — contou.

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