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Welber Tonhá

A Cultura do Sutiã: Do Antigo Egito à Revolução Feminista

Por Bruno
A Cultura do Sutiã: Do Antigo Egito à Revolução Feminista

Eu sempre recebo sugestões de pauta, e considero de suma importância a participação do leitor pautando os temas que apresento aqui sobre alguma forma de Cultura.

Neste caso, a pauta veio de dentro de casa, e exigiu um pouco mais de dedicação na linha de pesquisa, pois a indicação veio da minha companheira Karen.

A história do sutiã é uma jornada fascinante que reflete as mudanças na sociedade, na moda e nos papéis de gênero ao longo dos séculos. Longe de ser apenas uma peça de roupa, ele tem sido um símbolo de opressão, libertação e, em alguns casos, de pura funcionalidade.

As primeiras formas de suporte para os seios não se assemelhavam em nada aos sutiãs que conhecemos hoje. No Antigo Egito, as mulheres usavam faixas de linho enroladas para cobrir e apoiar os seios, principalmente durante atividades físicas. Na Grécia Antiga e em Roma, existiam peças como o apodesmos ou strophion (faixa de linho ou lã) e o mamillare, que eram usadas para comprimir e achatar os seios, refletindo o ideal de beleza da época.

Durante a Idade Média, a silhueta feminina era dominada por espartilhos e corpetes. Essas peças, muitas vezes de couro ou tecidos pesados, eram apertadas e rígidas, com o objetivo de levantar e modelar o corpo, mas causavam desconforto e até problemas de saúde. A ênfase não era no suporte, mas sim na modelagem da cintura, o que acabava por realçar o busto.

No final do século XIX, a busca por uma alternativa mais confortável ao espartilho ganhou força. A revolução industrial e o avanço da medicina popularizaram o debate sobre os danos causados por essas peças.

Em 1889, a francesa Herminie Cadolle patenteou o Corselet Gorge, que separava o espartilho em duas partes. A parte superior, que suportava os seios, é considerada uma das primeiras versões do sutiã.

No ano de 1914 a americana Mary Phelps Jacob criou o que é amplamente reconhecido como o primeiro sutiã moderno. Insatisfeita com a rigidez do espartilho, ela usou dois lenços de seda e uma fita para criar uma peça leve e flexível, que ela patenteou como "Backless Brassiere". A peça se tornou um sucesso imediato, vendendo mais de 500 mil unidades.

O termo "sutiã" é uma adaptação do francês soutien-gorge, que significa "suporte para o pescoço/garganta" ou, metaforicamente, "suporte para o busto". A palavra, no entanto, só se popularizou a partir da década de 1930.

O sutiã continuou a evoluir, refletindo as tendências de moda e as expectativas sociais. A invenção de novos materiais como o nylon, e mais tarde o elastano, tornou-o mais maleável e ajustável. O mercado se expandiu, oferecendo diferentes modelos para diferentes tipos de corpos e ocasiões. O sutiã se tornou um pilar do guarda-roupa feminino, simbolizando a feminilidade e, para muitos, a conformidade com um ideal de beleza.

A década de 1960 foi um período de grande agitação social e cultural. A segunda onda do feminismo, nos Estados Unidos, questionou o papel da mulher na sociedade e desafiou as normas de gênero.

No dia 7 de setembro de 1968, o movimento feminista alcançou um marco simbólico: o protesto contra o concurso de Miss América em Atlantic City. Em frente ao local do evento, centenas de mulheres se reuniram para protestar contra a objetificação do corpo feminino.

Embora o protesto tenha sido intenso e simbólico, a famosa "queima de sutiãs" é, na verdade, um mito. As mulheres jogaram sutiãs, corpetes, cílios postiços e outros itens que consideravam símbolos de opressão em uma lixeira chamada "Freedom Trash Can" (Lixeira da Liberdade). Eles não foram queimados, mas a ideia de "queimar" o sutiã ressoou com a mídia, que usou a frase para criticar o movimento, sugerindo que as feministas eram radicais e anti-femininas.

O ato de jogar o sutiã fora, no entanto, foi poderoso. Simbolizou a rejeição de normas que as mulheres sentiam serem impostas a elas. Era um protesto contra a obrigação de usar uma peça que, em sua visão, moldava seus corpos para o agrado de outras pessoas, em vez de ser uma escolha própria.

Hoje, o sutiã existe em um espectro de significados. Para muitas mulheres, é uma necessidade funcional e uma peça de conforto. Para outras, é uma escolha de estilo. E para algumas, a rejeição do sutiã continua sendo um ato de empoderamento e liberdade. O sutiã se tornou um assunto de debate sobre beleza, conforto, saúde e a eterna batalha das mulheres por autonomia sobre seus próprios corpos.

Tem pauta cultural, me conte no e-mail:

welbertonha@gmail.com

Welber Tonhá e Silva

Imortal da Academia Divinopolitana de Letras, cadeira nº 09

Imortal da Academia de Letras e Artes Luso-Suiça em Genebra, cadeira nº C186

Membro da Academia Mineira de Belas Artes

Historiador, escritor, pesquisador, fotógrafo e fazedor cultural.

Instagram: @welbertonha

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