A ganância e a inveja são irmãs

Conta-nos Malba Tahan que certo homem, infeliz com a sua situação financeira, conseguiu a chave de acesso à gruta do destino, onde fica o livro da vida. Ele adentrou o recinto, observou o ambiente e, trêmulo como uma vara verde, caminhou em meio a uma névoa fina, que absorvia a luz azul vinda de uma candeia. Ao aproximar-se do livro, uma voz de trovão o advertiu: “Um minuto para estar aqui. Caso contrário perderá a oportunidade de ouro que é dada a um mortal a cada mil anos.”
Imediatamente, o homem abriu o livro na sua página. Para sua tristeza, verificou que o destino reservava-lhe só miséria. Ao lado do livro havia lápis e borracha. O homem, em vez de cuidar de si, resolveu dar uma olhada nas páginas dos seus desafetos e descobriu que a fortuna lhes sorria. Então, apagou a boa sorte deles e substituiu por desgraças. Quando voltou à sua página, para arrumar a vida, esgotou-se o tempo. O gênio da gruta o jogou para fora e nunca mais pôde voltar. Inveja! Ganância! Elas são irmãs.
“O dinheiro não tem a mínima importância, desde que a gente não tenha muito”. Esta opinião é de Truman Capote. Realmente, ter muito dinheiro é problemático devido a uma série de circunstâncias: dinheiro mal administrado acaba; há sempre alguém querendo surrupiá-lo; nada pior do que ficar pobre depois de ter conhecido a fortuna. O rico é insensível à dor dos pobres e faz de tudo para acumular mais. É por isso que São Mateus adverte: “Onde estiver o seu tesouro, ali também estará o seu coração”.
Henry Ford nadava no dinheiro, mas sua opinião sobre o assunto era diferente: “Se o dinheiro for a sua esperança de independência, você jamais a terá. A única segurança verdadeira consiste numa reserva de sabedoria, de experiência e de competência”. De alguma forma, Oscar Wilde concorda: “A ambição é o último recurso do fracassado”. Adoniran Barbosa, por sua vez, vem na contramão: “Chega de homenagens, eu quero o dinheiro”. Como dinheiro está escasso e brasileiro tem memória curta, pode não ter uma coisa nem outra.
Um provérbio árabe chama-nos à atenção: “Não é o que possuímos, mas o que gozamos, que constitui nossa abundância”. Já a sabedoria chinesa nos alerta: “Há três coisas na vida que nunca voltam atrás: a flecha lançada, a palavra pronunciada e a oportunidade perdida”. Para encerrar o nosso encontro de hoje, em que o assunto foi essa complicada questão do dinheiro, talvez seja melhor ficarmos com a opinião de Martin Luther King Jr: “A verdadeira medida de um homem não se vê na forma como se comporta em momentos de conforto e conveniência, mas em como se mantém em tempos de controvérsia e desafio.” augustofidelis1@gmail.com
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