E viva Zélia Brandão

Augusto Fidelis
A que se pode comparar a vida? Bem, talvez a vida possa ser comparada a uma nave espacial, que parte da Terra numa missão de conquista do espaço sideral. Na subida frenética e alucinada, perde partes importantes da sua fuselagem. Daí, não há possibilidade de retorno, pois a reentrada na atmosfera seria o fim, numa grande explosão. Mesmo que não haja um alvo a ser perseguido, a viagem tem de continuar. Por isso, vira e mexe, vem aquela saudade do que ficou para trás, mas não se pode viver por completo o mesmo momento, já que não se pode mais ajuntar todos os fragmentos.
Na jornada em meio às estrelas, muitos caminhos se cruzam, e, nessas encruzilhadas, sempre aparece alguém que encontrou alguns dos cacos que a gente deixou escapar. Zélia Brandão é uma dessas pessoas, que se especializou em ajuntar lembranças para preencher o vazio de muitos corações, e o faz com muita competência. Anualmente, organiza o baile pré-carnavalesco “Zélia Brandão”, no qual os saudosistas têm a oportunidade de relembrar o que de melhor passou em suas vidas.
Tal iniciativa, que se repete ano a ano, chega à sua 15ª edição, cujo clímax se dará no próximo sábado, dia 11 de fevereiro, a partir das 22h30min, no Salão Paulinelli. Um dado importante, enfatizado a cada oportunidade, é que os convidados devem comparecer de fantasia ou passeio, que não precisa ser completo, mas passeio, o que popularmente se chama de social. Mas a fantasia, com certeza, valoriza muito mais o evento.
Os foliões não devem perder a oportunidade de apresentar o melhor de si, tanto no que se refere à vestimenta como à postura, a mais elegante possível. Mas não se deve dormir no ponto, pois fevereiro é a época de usar aquela máscara negra e cantar a plenos pulmões que esta cidade é maravilhosa. Se ajoelhar, tem que rezar, mas antes há de se mandar a tristeza embora, porque a alegria tem de ser geral. Para tanto, a Orquestra Vereda Tropical e a Barteria estarão em cena.
Quando Zélia Brandão puxar as cortinas e mostrar aos carnavalescos que o trem das onze já passou, aconselho-os a não ter aquele desejo de se disfarçar com a cabeleira do Zezé, de se sentar na praça para ver simplesmente a banda passar. Muito menos cometer o desespero de beber um barril de chope junto com a turma do funil. É preciso ficar esperto, senão alguém vai logo gritar: “Ih! Tem nego bebo aí”.
O melhor mesmo é erguer a bandeira branca, bailar com as pastorinhas, ter consciência de que todo dia é dia de dar bom dia. Portanto, meus amores, vamos celebrar a vida. E, por 15 vezes, viva Zélia!!! <augustofidelis1@gmail.com>
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