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Augusto Ambrosio Fidelis

Mal agradecido

Por Portal Agora
Mal agradecido

Augusto Fidelis

José Antônio D’Almeida e Maria Auxiliadora têm cinco filhos: Jacinta, Bruno, Thiago, Leonardo e Sandro.  Esse conjunto forma uma família de classe média da forma reinante na atualidade: tem casa, mais de um carro, alguns já formados e outros a caminho da conclusão dos cursos escolhidos. Todos trabalham.

A família estava estruturada, harmoniosa, sem nenhum percalço. Mas, de repente, uma descoberta incômoda. Para surpresa dos pais, chegou a informação de que Sandro era visto com frequência em companhia de pessoas não recomendadas, inclusive fazendo uso de substâncias proibidas. José Antônio e Auxiliadora ficaram abalados, pois, até então, colocariam a mão no fogo por qualquer um de seus filhos. 

O que fazer? Ora, a família foi sempre de diálogo, daí os pais precisavam conversar com o filho, saber o motivo de tal comportamento. Ontem de manhã, antes de Sandro sair para a sua jornada, José Antônio e Maria Auxiliadora foram ao quarto do caçula. Auxiliadora deu início à indagação:

- Filho, uma pessoa veio nos dizer sobre suas más companhias, do uso de entorpecentes, de certas atitudes incompatíveis com a educação que damos a você e a seus irmãos. Precisamos saber se tudo isto é verdade. Se você encontrou nesta, Sandrinho, você vai ter de sair!

- Não tenho satisfação a dar para vocês, não! Quero é saber quem foi o “filho de égua” que veio dar com a língua nos dentes aqui! Faço da minha vida o que eu quiser! No mais, não pedi para nascer!

- Alto lá, senhor Sandro! – interveio o pai – enquanto você estiver debaixo do nosso teto tem de nos respeitar, tem de nos dar satisfação. Porém, se você quiser ir embora, que vá, faça o que você quiser, mas longe de nós. Você não pediu para nascer e muito menos nós. Não pedi e nem escolhi nenhum filho, no entanto, eu e sua mãe recebemos com amor e carinho todos os cincos que Deus confiou à nossa guarda. Você, Sandro, talvez não tenha tudo o que você quer, mas tem tudo o que precisa. Nestes anos todos, eu e sua mãe trabalhamos intensamente para dar a você e a seus irmãos o que não tivemos quando estávamos na sua idade.

- Já que você não tem satisfação a nos dar, Sandrinho, - completou Auxiliadora - não vejo razão para que continue tendo cama, comida, roupa lavada e tantas outras benesses que usufrui diariamente nesta casa. A partir de hoje a ração está cortada. Vá para onde você quiser.

José Antônio e Auxiliadora saíram do quarto e foram conversar na cozinha outros assuntos, como se nada tivesse acontecido. Algum tempo depois, Sandro veio até eles aos prantos, ajoelhou-se e disse:

- Pai! Mãe! Eu amo vocês, eu preciso de ajuda!

- Você terá, meu filho, você terá! – disse Auxiliadora – abraçando-o, também aos prantos.

augustofidelis1@gmail.com 

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